Costa diz que diminui o IRS para 99,7% dos portugueses. Diminui?
O primeiro-ministro decidiu explicar o Orçamento do Estado (OE) através de vídeos no Youtube partilhados nas redes sociais Twitter e Facebook. O Negócios seleccionou algumas das afirmações de António Costa e foi confrontá-las com o que prevê a proposta de OE.
Se o primeiro-ministro se refere apenas aos portugueses que pagam impostos, então é possível dizer que a generalidade vai mesmo pagar menos, com a redução na sobretaxa. Mas é preciso não esquecer que 46,3% das famílias já não pagam IRS, devido aos rendimentos baixos.
A frase:
"Este é um orçamento responsável, que quer virar a página da austeridade, mas que quer garantir a diminuição do défice e a diminuição da dívida. Mas queremos fazer com as escolhas certas. Nós diminuímos o IRS para 99,7% dos portugueses. Mas compensamos aumentando a tributação da banca para o fundo de resolução."
A redução da sobretaxa de IRS vai trazer um alívio fiscal para a generalidade das famílias que pagam impostos. De facto, e de acordo com as simulações efectuadas pela PWC para o Negócios, todos ficam a ganhar face a 2015, mesmo os que estão no último escalão do IRS e não beneficiam da redução da sobretaxa. Isto acontece porque o Governo resolveu também actualizar os escalões do imposto em 0,5%, o valor da inflação esperada em 2015. A actualização é pequena, mas provocará, ainda assim, uma redução da carga fiscal.
A redução da sobretaxa de IRS vai trazer um alívio fiscal para a generalidade das famílias que pagam impostos. De facto, e de acordo com as simulações efectuadas pela PWC para o Negócios, todos ficam a ganhar face a 2015, mesmo os que estão no último escalão do IRS e não beneficiam da redução da sobretaxa. Isto acontece porque o Governo resolveu também actualizar os escalões do imposto em 0,5%, o valor da inflação esperada em 2015. A actualização é pequena, mas provocará, ainda assim, uma redução da carga fiscal.
Depois, António Costa afirma que diminui o IRS, mas compensa "aumentando a tributação da banca para o fundo de resolução". Aumenta, de facto – sobe a taxa máxima aplicável (de 0,085% para 0,11%) e alarga-se o leque dos bancos que são abrangidos (passam a ser também as sucursais portuguesas de bancos estrangeiros). No entanto, com estas mexidas, o Governo estima arrecadar 50 milhões de euros, muito longe dos 430 milhões que vai deixar de encaixar com a redução da sobretaxa de IRS. Ou seja, para reduzir a sobretaxa foi preciso muito mais, além de aumentar a contribuição da banca, nomeadamente, um aumento de vários impostos sobre o consumo, como o ISP, o ISV ou o tabaco.