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Governo tem de aumentar as deduções se quiser garantir neutralildade no IRS. Mas perda está garantida

Simulações da Deloitte mostram que o Governo terá de aumentar as deduções do IRS se quiser garantir a neutralidade fiscal.E que uma atualização de 5,1% não chega para resolver o problema da inflação de 2022. Para tal era preciso que os escalões do IRS fossem atualizados em 18%. Consulte o seu caso.

Vítor Mota
07 de Outubro de 2022 às 21:12

Perante um aumento da remuneração bruta de 5,1%, tal como prevê o acordo de rendimentos e competitividade negociado com os parceiros,  e uma atualização dos escalões de taxa do IRS em 5,1%, "a implementação prática do princípio da neutralidade fiscal das atualizações salariais exige uma atualização equivalente da dedução específica ao rendimento do trabalho e das deduções à coleta do IRS".

A conclusão é da consultora Deloitte, que efetuou um conjunto de simulações tendo por base os valores adiantados pelo Governo esta quinta-feira, na proposta de acordo de rendimentos e competitividade entretanto revista e em negociação com os parceiros sociais.  

"Se aumentarmos os salários em 5,1% e os escalões em igual percentagem, teremos um aumento do rendimento líquido em 5,1%, mas isso só acontece assim porque assumimos que as deduções também aumentam 5,1%", explica Ricardo Reis, especialista da Deloitte. Se assim não for, acrescenta, então o aumento líquido já não será de 5,1%. 

Governo tem de aumentar as deduções se quiser garantir neutralildade no IRS. Mas perda está garantida

Para já, o Governo nada disse sobre eventuais mexidas no IRS ao nível das deduções, seja da dedução personalizante, fixa, a que todos têm direito, seja das deduções à coleta, e será preciso esperar pela proposta de Orçamento do Estado para 2023, que será entregue no Parlamento na próxima segunda-feira, para se saber o que pretendo o Executivo fazer a este nível, tendo em conta que se comprometeu com a neutralidade fiscal. 

Só atualização de 18% compensaria inflação

Por outro lado, e olhando para a inflação prevista de 7,2% para este ano, a Deloitte chega à conclusão que, mantendo o pressumporto de que as remunerações brutas aumentam 5,1%, "a taxa de atualização dos escalões de taxa do IRS que permitiria um aumento da remuneração líquida aproximado ao aumento dos preços situar-se-ia na vizinhança de 18%".

Afinal, justifica Ricardo Reis, é com uma inflação de 7,2% que vamos entrar em 2023, pelo que é essa que deve ser tida em conta para se avaliar a perda de poder de compra que os contribuintes vão registar. 

Governo tem de aumentar as deduções se quiser garantir neutralildade no IRS. Mas perda está garantida

As simulações foram realizadas de acordo com os seguintes pressupostos:

• Assumiu-se um individual solteiro, sem dependentes, com remuneração exclusiva proveniente do trabalho e totalmente sujeita a contribuições para a segurança social de acordo com o regime geral;

• Não foram consideradas outras deduções à coleta para além da dedução "por sujeito passivo" (Euro 250 em 2022);

• Em paralelo com a atualização dos escalões de taxa do IRS, procedeu-se à atualização da dedução específica ao rendimento do trabalho e da dedução à coleta por sujeito passivo, à mesma taxa de atualização;

• Para efeitos do cálculo do mínimo de existência, replicou-se para 2022 o acréscimo de Euro 200 considerado em 2021; para 2023 manteve-se o mecanismo válido em 2022 com uma atualização da Retribuição Mínima Mensal Garantida (RMMG) para Euro 760;

• Os diferentes cenários de valores de rendimentos correspondem a uma estimativa da remuneração que posiciona o individual na vizinhança do topo de cada escalão do IRS com referência a 2022 (total de 11 escalões com inclusão da taxa adicional de solidariedade); com exceção do primeiro cenário, que corresponde ao valor de rendimento do trabalho que posiciona o individual no limiar do mínimo de existência com referência a 2022;

• Os valores da remuneração líquida apresentados consideram a tributação em sede de IRS e os descontos do trabalhador para a segurança social.

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