Governo admite que há obras do PRR em risco devido ao mau tempo mas promete soluções
Danos provocados pelas tempestades colocam em causa alguns projetos do PRR, admite Manuel Castro Almeida. Esses projetos devem sair do plano com a nova reprogramação em curso, mas o Governo garante que serão encontradas soluções para assegurar a sua continuidade.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, reconheceu esta quarta-feira que há obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que podem estar em causa devido aos danos provocados pelas tempestades nos primeiros dois meses do ano, mas assegura que o Governo está a procurar soluções para garantir que os projetos continuam "com ou sem financiamento do PRR".
"Há obras que vão ficar em causa por causa destes impactos [do mau tempo]", afirmou Manuel Castro Almeida, em audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial na Assembleia da República. Essas obras estavam "devidamente controladas e sinalizadas como sendo possíveis de concluir a tempo", mas "por causa das intempéries não vão ser cumpridas" e podem vir a deixar o PRR na reprogramação que está agora em curso e que deve seguir para Bruxelas até ao final deste mês.
Embora esteja a ser ponderada a retirada de alguns desses projetos do PRR, o ministro referiu que não espera "ver o país com paisagem de obras a meio e paradas, porque faltou financiamento do PRR a meio da obra". "Haveremos de encontrar soluções para que obras possam continuar com ou sem financiamento do PRR", assegurou.
A nova reprogramação do PRR, em que o Governo está a trabalhar com a Comissão Europeia, deverá incidir sobretudo sobre "três áreas". Por um lado, está previsto um reforço do instrumento financeiro para a inovação e competitividade (IFIC) e, por outro, está a ser negociada com Bruxelas a realocação de verbas do BRT (Bus Rapid Transit) de Braga e da energia.
A ideia, segundo a estrutura de missão Recuperar Portugal – que coordena e monitoriza a execução do PRR em Portugal – é que essa nova reprogramação fique concluída "o mais rápido possível" e seja "cirúrgica", focando-se em retirar marcos e metas, associados a investimentos e reformas, que já não poderão ser concluídos e reforçando outros cuja ambição possa ser reforçada.
As regras europeias permitem que, se alguns dos marcos e metas do PRR deixarem de ser "parcial ou totalmente exequíveis pelo Estado-membro em causa devido a circunstâncias objetivas", o país "pode apresentar um pedido fundamentado à Comissão para que esta apresente uma proposta para alterar ou substituir" o que foi acordado com Bruxelas. E é, com base nesse ponto das regras comunitárias, que Portugal vai apresentar esta nova reprogramação do PRR.
Porém, todos os investimentos e reformas do PRR devem estar concluídos até 31 de agosto de 2026. Com o aproximar dessa data, eventuais ajustes de calendário ficam mais difíceis.
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