Guerra no Irão está já a provocar entraves na execução do PRR, alerta Pedro Dominguinhos
Presidente da comissão de acompanhamento do PRR avisa que estão a registar-se atrasos nas encomendas e escassez de material. Além disso, aponta para uma subida generalizada de preços, que pode dificultar a execução dos investimentos na sua reta final.
A quatro meses de terminar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o presidente da comissão nacional de acompanhamento, Pedro Dominguinhos, avisa que já se está a sentir o impacto da guerra no Irão nos investimentos contratualizados, o que coloca riscos à absorção integral dos 21,9 mil milhões de euros a que Portugal tem direito. O alerta é dado em entrevista ao Negócios e à Antena 1.
"Já estamos a sentir [o impacto da guerra] em atrasos das encomendas, na escassez de material e no aumento de preços", refere Pedro Dominguinhos, sinalizando que alguns dos materiais em falta estão a sofrer constrangimentos devido ao fecho do estreito de Ormuz.
O líder da comissão de acompanhamento dá conta de que, nas últimas semanas, recebeu relatos de que, por exemplo, o PVC, necessário para janelas, esgotou e o XPS, muito usado no capoto ou casas e escolas, "também estava a escassear e a registar com um aumento de preços muito relevante". "Além disso, temos notado, por exemplo, nos equipamentos científicos, que há muitos equipamentos que estão parados nos vários portos a nível mundial, porque tem que seguir diferentes rotas para chegar a Portugal", nota.
Pedro Dominguinhos alerta ainda que esses constrangimentos podem vir a acentuar-se nos próximos meses, caso a guerra no Irão se prolongue. "Se se mantiver esse encerramento do estreito de Ormuz, mesmo com outras rotas que possam ser encontradas, vai ser mais difícil", salienta.