Governo promete informar Parlamento sobre os milionários que não pagam impostos
O novo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) confirma a extinção do grupo de trabalho que esteve no passado a trabalhar na identificação do património e rendimento dos "multimilionários", o grupo que se designa por "high net worth individuals". E compromete-se a trazer à Assembleia da República regularmente as conclusões que resultarem da avaliação das falhas legislativas que fazem com que este grupo pague uma factura fiscal bem abaixo da que seria suposto.
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Fernando Rocha Andrade (na foto) explicou que, do que conseguiu apurar junto da Autoridade Tributária, o grupo de trabalho em causa foi constituído por sugestão do FMI durante a intervenção da troika em Portugal. Esse grupo tinha a seu cargo um director em part-time e dois funcionários a tempo inteiro.
Entretanto, e tanto quanto o novo SEAF pode compreender, "tomaram-se algumas opções": O grupo de trabalho acabou por ver parte das suas funções absorvidas por duas direcções de serviços e nunca se criou na Unidade dos Grandes contribuintes uma vertente para os contribuintes singulares.
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Rocha Andrade diz não querer fazer juízos que não lhe competem, dada a pouca informação de que dispõe, mas acrescentou que o "FMI identificou um problema".
Tal como José Azevedo Pereira havia dito, o facto de em Portugal este grupo de multimilionários pagar muito menos do que o devido (assegura 0,5% do IRS quando, lá por fora, em média, o mesmo grupo garante cerca de 25% da receita total) não se deve tanto a violações directas da lei, mas a "os instrumentos legislativos e administrativos usados".
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Rocha Andrade compromete-se a informar o Parlamento Sobre "as conclusões que forem sendo retiradas pela AT relativamente às limitações que enfrenta na tributação destes contribuintes" para que possam ser aprovadas as necessárias alterações legislativas.
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