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Sonangol rejeita cenário de bancarrota

A petrolífera angolana rejeita qualquer cenário de "falência técnica" ou de "bancarrota" e afirma ter capital suficiente para satisfazer todas as obrigações de curto prazo. A Sonangol diz que vai manter o seu plano de investimentos avaliado em seis mil milhões de euros.

Reuters
Lusa 12 de Julho de 2015 às 19:43
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A administração da angolana Sonangol rejeitou este domingo, dia 12 de Julho, um cenário de "falência técnica" ou de "bancarrota" na petrolífera estatal, sublinhando, entre outros indicadores, que possui capitais suficientes para satisfazer todas as obrigações imediatas e de curto prazo.

 

Em causa estão notícias recentes, citando documentos internos da concessionária angolana, sobre a crise financeira que a empresa viverá, fruto da conjuntura petrolífera e dos investimentos internacionais realizados nos últimos anos.

Num comunicado enviado à Lusa e no qual alude "à hipotética 'falência técnica', 'bancarrota' e 'crise'" na Sonangol, transmitidos por "artigos de opinião" publicados "num determinado jornal português", a administração afirma serem considerações que revelam "insuficiente análise e conhecimento da empresa".

 

Refere que a Sonangol possui um nível geral de endividamento actual de 13.786 milhões de dólares (12,3 mil milhões de euros), contra um nível de capitais próprios superior a 21.988 milhões de dólares (19,7 mil milhões de euros). "Tal confere um índice de solvabilidade financeira de longo prazo inferior a 63%", lê-se no comunicado, reconhecendo que a empresa "possui capitais circulantes suficientes para satisfazer, em plenitude, as suas obrigações imediatas e de curto prazo".

 

A Sonangol assegura também manter o programa de investimentos, avaliado em 6.700 milhões de dólares (6.000 milhões de euros), em todos os segmentos, dos quais 58% em exploração e produção de petróleo bruto, 15% em refinação de petróleo bruto e 10% em distribuição e logística de combustíveis.

 

Além disso, a Sonangol assume que a 31 de Dezembro de 2014 o lucro operacional (EBITDA) da empresa "excedia em 1.650 milhões de dólares [1,4 mil milhões de euros] a sua dívida líquida", revelando "a sustentabilidade operacional do endividamento e a preservação de liquidez suficiente para as adversidades conjunturais".

 

Angola enfrenta dificuldades financeiras devido à forte quebra da cotação internacional do barril de crude, produto que representa 98% das suas exportações, o que levou o Executivo a rever o Orçamento Geral do Estado para 2015, cortando um terço de todas as despesas públicas.

Apesar deste cenário, a Sonangol afirma que "os sinais" do primeiro semestre deste ano "são animadores" e que não prevê "qualquer agravamento substancial" da estabilidade conjuntural em 2015.

 

Sublinha que a produção nacional de petróleo bruto está hoje 11,8% acima do nível verificado no primeiro semestre de 2014 e que o preço médio de exportação realizado pela Sonangol está 35% acima do preço de referência de programação para o ano de 2015.

 

A administração assegura igualmente que as operações internacionais -- que, de acordo com algumas dessas notícias recentes, estarão na origem dos apontados problemas financeiros da estatal angolana -, "decorrem com normalidade", através das subsidiárias Sonangol Limited, em Londres, da Sonusa, em Houston, e da Sonasia, em Singapura.

 

"Prioriza-se a manutenção da quota da Sonangol nos mercados da China e da Índia. Simultaneamente, a Sonangol mantém as operações petrolíferas no Brasil e na Venezuela, além das actividades que conduzirão a perfuração do 1.º poço de pesquisa na República de Cuba", garante a petrolífera e maior empregadora angolana.

 

Ainda assim, a administração admite que "como consequência dos ajustamentos conjunturais", a empresa desencadeou, ainda em 2014, "um amplo processo negocial" da maioria dos contratos de aquisição de bens e serviços, através de negociações "longas" e "difíceis" que "encontrarão por certo alguns constrangimentos".

"Estas abrangem toda a cadeia de valor de intervenção da empresa, desde a exploração e produção de petróleo bruto até às actividades não nucleares que desenvolve", concluiu o documento.

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