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Bolsa de Cabo Verde lança primeira emissão em bolsa de obrigações azuis de até 3,2 milhões de euros

Além de se tratar da primeira emissão apenas para financiar projetos do setor ligados à economia azul, esta é também a primeira emissão pública em quase uma década, como destaca o presidente da Bolsa.

Lusa
Lusa 23 de Janeiro de 2023 às 06:28
A Bolsa de Valores de Cabo Verde lança esta segunda-feira a primeira emissão de "obrigações azuis" do país, para angariar até 3,2 milhões de euros, para financiar projetos da economia azul, segundo o presidente da instituição.

Em declarações à Lusa, Miguel Monteiro explicou tratar-se de uma oferta pública através do International Investment Bank (iiB) de Cabo Verde, que vai decorrer de 23 de janeiro a 28 de fevereiro, prevendo colocar de 250 milhões de escudos a 350 milhões de escudos (2,3 milhões de euros a 3,2 milhões de euros), com maturidade a cinco anos e taxa de juro de 4%.

"Em primeiro lugar é pelo facto de desde 2014 não haver ofertas públicas e esta vai ser uma oferta pública. Ou seja, no caso em concreto vão ser as obrigações do iiB, denominadas Marine and Ocean Based Blue Bond série D, e que na prática pretendem financiar o desenvolvimento de projetos na área da economia azul", disse.

Esta emissão, que será lançada publicamente às 18:00 locais (19:00 em Lisboa) de hoje, no Mindelo, na presença do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no âmbito da passagem por São Vicente (20 a 25 de janeiro) da Ocean Race, a maior e mais antiga regata do mundo, prevê um montante de 50 a 100 milhões de escudos (450 a 900 mil euros) para o banco financiar, através de uma linha própria, microemprendedores e pequenos investimentos deste setor.

"Mas também pretende viabilizar a inclusão financeira neste mesmo setor da economia azul, através de financiamentos diretos ou através de parcerias com instituições de microfinanças para crédito de pequena escala a particulares e pequenas empresas no setor marítimo e pesqueiro sustentáveis", explicou anteriormente Miguel Monteiro.

O valor restante a angariar pelo iiB com esta oferta pública servirá para financiar projetos de maior dimensão, também no setor da economia marítima.

"Ligados à proteção costeira, virados sempre para este setor, sendo uma 'Blue Bond', uma obrigação azul, tem de ser para este setor (...) E naturalmente que durante e no final destes cinco anos vão ser emitidos relatórios de alocação desses valores, para que todos possam saber em concreto onde é que foram feitos", disse ainda.

"Na prática é para empresas do setor marítimo e pesqueiro, sustentáveis", acrescentou Miguel Monteiro.

Além de se tratar da primeira emissão apenas para financiar projetos do setor ligados à economia azul, esta é também a primeira emissão pública em quase uma década, como destaca o presidente da Bolsa.

"Neste caso, qualquer cabo-verdiano de Santo Antão à Brava, qualquer cabo-verdiano no estrangeiro ou qualquer estrangeiro aqui em Cabo Verde ou mesmo lá fora, poderá subscrever essas obrigações. Ou seja, poderá investir nessas obrigações", apontou.

Fora de Cabo Verde, a subscrição destas obrigações pode ser feita através da plataforma online Blu-X, uma ferramenta recentemente desenvolvida e destinada à promoção do financiamento do desenvolvimento sustentável de Cabo Verde e da região africana, em particular da economia azul, através da emissão e negociação de títulos sustentáveis, tais como, títulos azuis, verdes, socais e de sustentabilidade.

"Veio para realçar a importância que Cabo Verde e a Bolsa de Valores dão à economia azul", destacou ainda o responsável, sobre a plataforma BLU-X, que resulta de uma parceria com o Programa das Nações Unidas em Cabo Verde.

A BVC fechou o ano com um resultado histórico de dez colocações bolsistas, face à média anual de quatro antes de 2022, tendo o montante de emissões no mercado primário, incluindo títulos do tesouro, atingido os 27.925 milhões de escudos (253,3 milhões de euros), um recorde desde o início das atividades da Bolsa.

"Vamos ultrapassar as dez emissões feitas no ano passado", afirmou Miguel Monteiro, sobre as perspetivas atuais para 2023.

A capitalização da Bolsa de Valores de Cabo Verde ultrapassou no final de dezembro os 106.844 milhões de escudos (968,9 milhões de euros), impulsionada pelo crescimento das emissões bolsistas.

A capitalização bolsista - aproximação do valor de mercado das empresas e títulos -- da Bolsa de Valores de Cabo Verde já tinha ultrapassado em abril, pela primeira vez na sua história, os 100 mil milhões de escudos (915 milhões de euros).

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.



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