Casa Branca aponta baterias à Fed de Nova Iorque após estudo sobre o impacto das tarifas

Os investigadores da Fed de Nova Iorque indicam que são os norte-americanos que estão a arcar com o peso das tarifas. O diretor do Conselho Económico Nacional da Casa Branca discorda e classifica o estudo como "vergonhoso". "O pior que já li na minha vida", diz ainda.
Kevin Hasset é o diretor do Conselho Económico Nacional da Casa Branca.
Evan Vucci / AP
Ricardo Jesus Silva 18 de Fevereiro de 2026 às 19:56

A administração Trump não ficou contente com o mais recente estudo da Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque, que indica que são as famílias e empresas norte-americanas que estão a absorver a grande maioria dos impactos das tarifas. Em entrevista à CNBC, o diretor do Conselho Económico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que o estudo é "vergonhoso" e que todos os envolvidos devem ser "disciplinados". 

"O que eles fizeram foi apresentar uma conclusão que gerou muitas notícias altamente partidárias, com base numa análise que não seria aceite numa aula de economia do primeiro semestre", afiançou Hasset, acrescentando que é "o pior estudo" que já leu na sua vida. Para o conselheiro económico da Casa Branca, os investigadores do banco central ignoraram o que diz serem aspetos fundamentais da forma como as tarifas funcionam, concentrando-se simplesmente nos preços e deixando de lado o impacto do aumento dos salários e os benefícios das empresas trazerem mais produção para os EUA. 

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"Os preços caíram. A inflação diminuiu ao longo do tempo. Os preços das importações caíram bastante no primeiro semestre do ano e os salários reais aumentaram em média 1.400 dólares no ano passado, o que significa que os consumidores até ficaram em melhor situação com as tarifas", concluiu. 

A visão não é corroborada pelos investigadores da Fed de Nova Iorque. De acordo com o estudo lançado na passada quarta-feira, cerca de 94% dos custos das tarifas foi absorvido pelas empresas e consumidores norte-americanos nos primeiros oito meses do ano passado. A percentagem caiu com o desenrolar do ano, mas, mesmo assim, em novembro, estava nos 86%, com os fornecedores estrangeiros a começarem a absorver um pouco mais deste impacto. 

Apesar de a administração Trump estar agora a apontar baterias para a Fed de Nova Iorque, vários estudos têm chegado à mesma conclusão. Em janeiro, o instituto alemão Kiel Institute divulgou um artigo científico em que defendia a tese de que . Os restantes 96% passaram para as empresas importadoras ou para as retalhistas, que tiveram de decidir se absorviam o impacto das taxas alfandegárias ou se o passavam para os consumidores - reduzindo, assim, as suas margens de lucro.

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Também o Gabinete do Orçamento do Congresso dos EUA conclui que apenas 5% do impacto das tarifas está a ser absorvido por fornecedores externos. E até vai mais longe: do montante suportado pela maior economia do mundo, apenas 30% dos custos está a ficar do lado das empresas, enquanto os restantes 70% estão a ser passados para as famílias norte-americanas. 

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