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As conquistas e derrotas dos primeiros 100 dias de Trump

O presidente dos Estados Unidos ainda não começou a construir o muro na fronteira com o México, mas ao longo dos seus primeiros 100 dias na Casa Branca já chocou várias vezes de frente com outro muro: o da realidade.

Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 29 de Abril de 2017 às 15:00
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As promessas económicas que atravessaram o muro...


Sair do Tratado Transpacífico

Era uma das principais promessas de Donald Trump e das mais fáceis de executar. O Presidente defende que o acordo comercial prejudicava os trabalhadores americanos e bastou assinar uma ordem executiva para desistir dele. Ainda assim, não teve de rasgar nenhum tratado. O acordo negociado por Barack Obama com 12 países do Pacífico (entre os quais Japão, Vietname, Malásia e Austrália) ainda não tinha sido aprovado pelo Congresso. Trump deverá também garantir que o TTIP - outro acordo comercial, neste caso com a UE - não chegará sequer a essa fase. 

 

Limitar a aprovação de regulações

No final de Janeiro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que obriga a que, por cada nova regulação aprovada por uma agência federal sejam eliminadas duas. Não é possível ainda fazer uma avaliação da sua eficácia.

 

Mais energia, menos ambiente

Várias regulações de protecção ambiental aprovadas por Obama foram anuladas por Trump, mais uma vez através de ordem executiva. A iniciativa elimina ou ordena a revisão de várias medidas no sentido de aumentar a produção energética a partir de combustíveis fósseis. Trump garante que ajudará a criar empregos. Foi também aprovada a construção do polémico oleoduto Keystone XL, que Obama tinha bloqueado.

 

Reforma fiscal (?)

Esta iniciativa traz um ponto de interrogação, porque foram apenas apresentados os traços gerais e está ainda muito longe de ser aprovada. O plano passa, entre outras medidas, por eliminar escalões de IRS e descer o IRC pago pelas empresas de 35% para 15%. As avaliações feitas até agora concluem que os principais beneficiados serão os mais ricos e as grandes empresas. As medidas deverão custar entre três a sete biliões de dólares aos cofres do Estado até 2027, o equivalente a 20% do PIB. Este elevado impacto nas contas públicas é um dos motivos para a desconfiança sobre a sua aprovação. Os republicanos mais próximos do Tea Party terão muitas dúvidas.

 

Supremo e lóbi

Não têm directamente a ver com economia, mas não seria justo deixar de fora a nomeação de Neil Gorsuch para o Supremo Tribunal de Justiça, talvez a sua principal vitória. Avançaram também iniciativas que limitam a actividade lobista de antigos responsáveis da Casa Branca.

 
Derrotas


... E aquelas que chocaram contra a parede


China? Não há nada de errado

"Porque hei-de dizer que a China manipula a sua moeda quando eles estão a trabalhar connosco no problema da Coreia do Norte?" A pergunta, feita por Trump no Twitter, mostra o racional por trás do recuo em relação a uma das suas principais promessas. O Presidente disse que no seu primeiro dia na Casa Branca daria instruções para classificar a China como "manipulador de divisa".

 

Muro com o México à espera de cimento

Foi talvez a promessa que mais atenção recebeu dos media, mas também aquela que se mostrava mais difícil de cumprir, principalmente a parte em que Trump garantia que seria o México a pagar o muro. Há um mês, Trump pediu 2,6 mil milhões de dólares para começar a construção, mas há dúvidas que o Congresso autorize.

 

Afinal, EUA ficam no NAFTA

O acordo com o México e o Canadá já foi classificado por Trump como o pior acordo comercial alguma vez assinado. Ainda assim, os EUA deverão continuar nele. Trump anunciou que, depois de ter recebido chamadas dos líderes do México e do Canadá, aceitou não sair do NAFTA, desde que seja reformado.

 

Ainda não há plano de infra-estruturas

Trump prometeu um plano que gerasse um bilião de dólares em investimento em infra-estruturas. Até agora, nada foi apresentado, embora a Administração continue a assegurar que anunciará medidas.

 

Penalizar empresas que vão para fora

Trump prometeu aprovar nos primeiros 100 dias uma lei que penalize fiscalmente as empresas que transfiram operações e postos de trabalho para o estrangeiro. Até agora, nada foi apresentado.

 

Obamacare e imigração

Outra proposta central para Trump: eliminar a reforma de saúde de Barack Obama. A iniciativa não teve votos para passar no Congresso, sendo vista como o grande falhanço dos primeiros 100 dias. Ainda assim. Quanto à imigração, a tentativa de bloqueio de refugiados e imigrantes de países muçulmanos foi travada em tribunal, mas o número de detenções de imigrantes ilegais está a crescer 33%.

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