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Trump avisa: é possível um "grande, grande conflito" com a Coreia do Norte

Na véspera de fazer 100 dias na Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos voltou a abrir a porta a uma escalada militar com a Coreia do Norte.

Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 28 de Abril de 2017 às 09:02
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Numa entrevista à Reuters, Donald Trump avisou que, embora prefira a via diplomática, é possível que o impasse que se vive entre Washington e Pyongyang acabe por dar origem a um "grande, grande conflito". "Há uma hipótese de podermos acabar por ter um grande, grande conflito com a Coreia do Norte. Sim, absolutamente", disse à agência.

 

A Casa Branca continua a dizer que está a insistir noutras vias, preparando, por exemplo, sanções económicas. No entanto, a solução militar não foi tirada de cima da mesa. "Adorávamos resolver as coisas diplomaticamente, mas é muito difícil", disse o Presidente.

 

A um dia de completar 100 dias à frente da maior potência militar do mundo, Trump assume que a Coreia do Norte é o seu maior desafio à escala global e deixa vários elogios ao Presidente chinês Xi Jinping, pela ajuda que está a dar para tentar resolver a crise com Pyongyang.

 

"Acho que ele está a empenhar-se muito. Ele não quer ver instabilidade e morte. Ele não quer ver isso. É um bom homem. É um bom homem e eu fiquei a conhecê-lo muito bem", sublinhou Trump, que se encontrou com o líder chinês na sua casa na Florida, no início do mês. "Dito isto, ele ama a China e ama o povo chinês. Sei que ele gostaria de fazer algo, é possível que se calhar não consiga."

Trump dá tanta importância à ajuda de Xi Jinping nesta questão que já desistiu de acusar Pequim de manter a moeda subvalorizada. Nesta entrevista, assume também que fará concessões diplomáticas, por exemplo na forma como trata Taiwan. Recorde-se Trump assumiu ter falado ao telefone com a Presidente de Taiwan, o que provocou alguma celeuma diplomática com a China. Hoje, Trump faria as coisas de forma diferente. "Bom, o meu problema é que estabeleci uma relação pessoal muito boa com Xi. E acho verdadeiramente que ele está a fazer tudo o que está ao seu alcance para nos ajudar nesta situação [da Coreia do Norte], portanto eu não gostaria de causar-lhe dificuldades agora. Portanto, eu quereria falar antes com ele."

A Reuters questionou ainda o Presidente sobre a personalidade e o racional por trás das decisões do líder norte-coreano, Kim Jon-un. Trump apontou a dificuldade que é ter tanto poder tão novo, num tom quase elogioso. "Ele tem 27 anos. O pai morreu, assumiu o controlo do regime. Portanto, digam o que quiserem, mas isso não é fácil, especialmente naquela idade. Há muitos generais por lá [na Coreia do Norte] que gostariam de fazer aquilo que ele está a fazer", afirmou. "Não estou a dar-lhe ou não crédito, só estou a dizer que é algo muito difícil de fazer. Sobre se ele é racional ou não, não tenho opinião. Espero que seja."


Na quarta-feira a Administração norte-americana classificou a Coreia do Norte como "uma ameaça urgente à segurança nacional e a prioridade de política externa" dos EUA. A opção de avançar com um ataque militar foi desvalorizada, mas continua a estar em cima da mesa. Os EUA já enviaram um porta-aviões e um submarino nuclear para a região.

A posição norte-americana tem sido de apoio à Coreia do Sul, mas nesta entrevista Trump avisa também que os EUA não vão pagar a conta sozinhos. Em concreto, refere que o sistema anti-mísseis THAAD terá de ser pago pelo governo sul-coreano. "São milhares de milhões de dólares. Eu disse 'por que estamos nós a pagar? Por que estamos nós a pagar milhares de milhões de dólares? Estamos a proteger.' Então eu informei a Coreia do Sul que seria apropriado que eles pagassem. Ninguém vai construir aquilo. É um sistema de milhares de milhões. É fenomenal. É o equipamento mais incrível que já alguma vez viram - dispara mísseis do céu. E protege-os e nós queremos protegê-los. Vamos protegê-los. Mas eles devem pagar por ele e eles percebem isso."

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