Com acordo incerto, EUA dizem ter atingido alvos iranianos. Teerão responde com ataque a base militar

As forças norte-americanas confirmaram ter atacado alvos militares iranianos no fim de semana e a Guarda Revolucionária do Irão anunciou já nesta segunda-feira que tinha atacado uma base norte-americana em resposta. Isto à medida que continuam as negociações para prolongar o frágil cessar-fogo.
Acordo entre Irão e EUA continua incerto
Stringer/picture-alliance/dpa/AP
João Duarte Fernandes 11:01

Durante o fim de semana, os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques, criando uma maior incerteza sobre se o acordo que estará a ser negociado com vista a prolongar o frágil cessar-fogo em vigor será assinado em breve. As forças norte-americanas confirmaram ter atacado alvos militares iranianos no fim de semana e a Guarda Revolucionária do Irão anunciou já nesta segunda-feira que tinha atacado uma base norte-americana em resposta.

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Desde que o cessar-fogo entre ambas as partes entrou em vigor no início de abril, Teerão e Washington têm por várias vezes voltado a entrar em confrontos militares, enquanto se arrastam as negociações diplomáticas destinadas a um acordo mais duradouro e abrangente.

Os ataques dos EUA deste fim de semana na costa iraniana do golfo Pérsico foram uma resposta a “ações agressivas do Irão, que incluíram o abate de um drone MQ-1 norte-americano que operava sobre águas internacionais”, escreveu o Comando Central dos EUA numa publicação no X.

Já a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou na segunda-feira que tinha atacado uma base aérea utilizada pelos EUA em resposta ao ataque no sul do Irão, sem identificar qual.

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Nesta linha, as defesas aéreas do Kuwait, onde se encontra uma importante base dos EUA, estavam esta manhã a intercetar ataques com mísseis e drones, informou a agência de notícias estatal KUNA, sem fornecer mais detalhes.

Numa publicação nas redes sociais, o Presidente dos EUA, Donald Trump, sem mencionar a nova troca de ataques, voltou a sublinhar que o Irão “quer realmente chegar a um acordo”. “Sentem-se e relaxem, no final tudo vai correr bem — como sempre acontece!”, escreveu ainda o republicano.

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Trump está sob crescente pressão interna e externa para chegar a um entendimento com o Irão que, entre outros pontos em negociação, reabra o estreito de Ormuz. Neste contexto, os preços do petróleo estão a registar subidas de mais de 3%, com a falta de progressos nas negociações a manter os “traders” em alerta.

As duas partes continuam em desacordo sobre várias questões, tais como as exigências de Teerão para o levantamento das sanções e a libertação de dezenas de milhares de milhões de dólares de receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros.

Noutro ponto, a guerra de Israel no Líbano contra o Hezbollah, apoiado pelo Irão, constitui outro obstáculo às negociações para pôr fim à guerra no Irão.

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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que tinha ordenado que tropas israelitas avançassem para o interior do Líbano. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês Joseph Aoun e com Netanyahu sobre as negociações diplomáticas entre os dois países e propôs um plano para permitir uma “desescalada gradual”, afirmou um responsável norte-americano citado pela Bloomberg.

Neste contexto, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, escreveu hoje que a escalada de Israel no Líbano e o bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos "são provas claras do incumprimento do cessar-fogo por parte dos EUA", segundo uma publicação do responsável iraniano no X. "Todas as escolhas têm um preço, e a conta acaba por chegar. Tudo se resolverá", acrescentou Ghalibaf.

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Notícia atualizada pelas 11:10h com declarações adicionais do presidente do Parlamento iraniano.

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