Conte bebés para prever juros reais nos mercados emergentes
Um relatório publicado pela Renaissance Capital na passada quarta-feira revelou que os países onde as famílias têm menos filhos provavelmente terão depósitos bancários mais altos, o que, por sua vez, tipicamente reduz as taxas de juros reais e o risco de incumprimento.
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"Quando as famílias têm menos filhos, elas tendem a poupar mais porque já não podem confiar nos filhos para proverem as suas pensões", escreveram os analistas da Renaissance Capital, numa nota de análise liderada por Charlie Robertson.
"Achamos que isso explica a correlação surpreendentemente alta entre taxas de fertilidade e depósitos bancários em relação ao PIB – uma correlação existente na década de 1990, bem como hoje – e em muitos países", sublinham.
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Um bom exemplo da teoria na prática é a China, onde mais da metade do aumento da poupança das famílias desde a década de 1970 pode ser atribuído à política do filho único, de acordo com o relatório. Essa poupança, por sua vez, contribuiu para um grande salto dos depósitos bancários e para a queda dos juros.
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Com base nestas conclusões, a taxa de juro real no Egito, Gana, Quénia, Paquistão e Zimbabué poderá cair para metade na próxima década, em linha com os menores níveis de fertilidade, referem os mesmos analistas. Países como Marrocos, Índia e Filipinas já estão na trajetória certa.
O juro real no Brasil, segundo o modelo, deve cair para zero em relação à taxa de 4% dos últimos anos.
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"Por outro lado, as previsões de fertilidade sugerem que a Nigéria, Tanzânia, Angola e Costa do Marfim continuarão a ter as taxas de juros reais mais altas do mundo até 2050, porque é improvável que os depósitos bancários deem um salto", diz a nota de ‘research’. "Isso afetará o investimento e o crescimento a longo prazo", rematam os analistas.
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(Texto original: Count Babies If You Want to Know Where EM Real Rates Are Headed
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