Derrocada nos metais preciosos. Prata afunda 22% e ouro já cai mais de 11%
Os metais preciosos estão a perder bastante terreno, com destaque para a prata, que ontem tinha atingido um máximo histórico acima de 121 dólares. Já o ouro perde mais de 10%.
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A prata está a viver uma sessão de fortes quedas. O metal precioso segue a mergulhar 22,1% para 90,20 dólares por onça, naquela que é a maior queda diária desde 2008.
Este “selloff” estendeu-se aos restantes metais preciosos, com destaque para o ouro, que recua 11,40% para 4.762,73 dólares por onça, naquela que é a descida mais acentuada desde a década de 80.
Já a platina cai 16% e se fechar com este nível de perdas será um recorde diário de queda. Nos metais industriais, o cobre segue a desvalorizar em torno de 4%, depois de ter ontem atingido um máximo histórico acima dos 14.000 dólares por tonelada.
A prata, depois de registar uma subida em torno de 150% em 2025, arrancou este ano com a mesma força, numa corrida desenfreada até à meta dos 100 dólares por onça, que atingiu — e superou — a 23 de janeiro. Mas não se ficou por aí e foi continuando a ganhar terreno. Na sessão de ontem, 29 de janeiro, marcou um novo recorde, nos 121,65 dólares.
No ano passado, a procura de metais preciosos pelos investidores foi muito visível, com o estabelecimento de recordes sucessivos no ouro, prata e também platina. A tendência acelerou neste mês de janeiro, numa altura em que os investidores foram apostando mais em ativos-refúgio devido aos receios em torno de um “debasement” do dólar e da independência do banco central dos EUA, bem como das tensões comerciais e geopolíticas.
No entanto, a sessão desta sexta-feira está a ser de forte derrocada, muito à conta do nome indicado por Donald Trump para ser o próximo presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, Kevin Warsh – o que deu um impulso ao dólar, moeda em que são denominados os metais preciosos e industriais.
A apreciação da nota verde minou o sentimento entre os investidores que estavam a aplicar mais dinheiro em metais depois de o Presidente dos EUA ter sinalizado a disposição para deixar a moeda enfraquecer.
E poderá a debilitação dos metais preciosos prosseguir? No caso da prata, a equipa Markets 360, do BNP Paribas alertava, numa análise ao comportamento da prata feita em inícios deste ano, para o facto de o nível dos 100 dólares poder não ser sustentável depois de ser atingido.
Essa sustentabilidade está em causa precisamente porque a equipa de estrategas e economistas do banco francês previa uma correção para breve, atendendo a que a escassez física do metal parece estar a dar sinais de alívio.
Além disso, “estamos céticos quanto à imposição de tarifas dos EUA sobre as importações de metais preciosos, não vemos restrições às exportações chinesas de prata, apesar de um novo regime de licenciamento de vendas ao exterior, e consideramos que a questão da colateralização da prata na Índia como fonte de suporte dos preços já tenha chegado ao fim”, escreveram os analistas do BNP Paribas no “research” a que o Negócios teve acesso.
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