EUA e China trocam expulsões de jornalistas após visita de Trump a Pequim

O governo norte-americano revogou o visto a uma funcionária chinesa da agência de notícias estatal Xinhua nos Estados Unidos, numa aparente retaliação pela decisão de Pequim de expulsar uma jornalista do The New York Times, segundo media locais.
Donald Trump e Xi Jinping
Evan Vucci / Associated Press
Lusa 09:09

Um funcionário do Departamento de Estado norte-americano confirmou à agência AP que estava planeado revogar o visto de uma funcionária chinesa da agência Xinhua, após o New York Times noticiar em primeira mão a medida recíproca do governo de Donald Trump, que visitou Pequim este mês.

A medida de retaliação norte-americana ocorreu após a expulsão por Pequim de Vivian Wang, correspondente do The New York Times na China.

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A causa aparentemente da expulsão foi a presença do Presidente taiwanês, Lai Ching-te, num evento do grupo de media norte-americano, no qual Wang não teve qualquer participação.  

O governo chinês reivindica a soberania sobre a ilha de Taiwan, que se autonomizou em 1949 sob liderança dos nacionalistas, após a guerra civil terminar na China continental com a vitória dos comunistas de Mao Tsé-Tung.  

O jornal divulgou hoje um comunicado a pedir a reintegração de Wang como jornalista credenciada na China e a exortar ambos os governos a "reverterem esta deterioração no acesso dos jornalistas".

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"A decisão do Governo chinês de expulsar Vivian Wang é errada", disse Joseph Kahn, editor executivo do jornal, num comunicado.

"A sua expulsão tornará ainda mais difícil para o nosso público global obter reportagens precisas, independentes e aprofundadas sobre a segunda maior economia do mundo num momento crítico", adiantou.

A presença dos media norte-americanos na China já é escassa, após rondas anteriores de disputas sobre credenciais jornalísticas.

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"O número de correspondentes de meios de comunicação social americanos autorizados a trabalhar na China caiu para um nível alarmantemente baixo, precisamente quando a necessidade de as pessoas de todo o mundo compreenderem a China é maior do que nunca", adiantou Kahn.

Todos os jornalistas estrangeiros precisam de ser acreditados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China para fazerem reportagens no país, e Pequim tem utilizado a política de acreditação e de vistos para expulsar ou impedir a entrada de profissionais cujo trabalho tenha desagradado à liderança chinesa ou para demonstrar descontentamento com o que Pequim considera ser uma cobertura desfavorável ou maliciosa da China.

Pequim restringiu drasticamente os vistos para jornalistas que trabalham para os meios de comunicação norte-americanos.

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No total, pelo menos 18 jornalistas estrangeiros que trabalhavam para o The Washington Post, The New York Times e The Wall Street Journal foram expulsos no primeiro semestre de 2020, segundo o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China.

Muitos outros receberam vistos de curta duração, que variam entre um e três meses, de acordo com o inquérito anual do grupo.

Em 2020, o governo chinês expulsou três correspondentes do Wall Street Journal depois de o jornal ter publicado um artigo de opinião intitulado "A China é o verdadeiro homem doente da Ásia", após o surto da pandemia de COVID-19.

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Com o agravamento das relações entre os Estados Unidos e a China, o Departamento de Estado norte-americano designou, em 2020, alguns dos principais grupos de notícias chineses como "missões estrangeiras".

A Xinhua, por exemplo, tem a função, atribuída pelo Partido Comunista Chinês, de servir de porta-voz do partido e do governo, o que inclui a distribuição de notícias oficiais.

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