Irão introduz novas regras para permitir travessias pelo estreito de Ormuz

As embarcações que queiram passar por uma das vias marítimas mais importantes do mundo terão de responder a um formulário de 40 perguntas, que força os navios a declararem o país de origem, destino e ainda dar detalhes da carga transportada.
O estreito de Ormuz tem sido um dos grandes pontos de discordia entre EUA e Irão.
AP
Ricardo Jesus Silva 18:19

O Irão continua empenhado em oficializar o seu domínio no estreito de Ormuz, apesar de os EUA já terem advertido o país por diversas vezes para abandonarem essa ideia. Numa nova tentativa de controlar por completo a via marítima, Teerão está a obrigar todos os navios que queiram atravessar o estreito a preencher um formulário que contém mais de 40 perguntas e que força as embarcações a declarar o seu nome e número de identificação, destino e país de origem. 

O documento questiona ainda a nacionalidade dos donos do navio e dos seus operadores, bem como de todos os tripulantes da embarcação, além da carga que está a ser transportada. A informação está a ser avançada pela CNN, que diz ter recebido o formulário por parte da Lloyds List e de outra fonte dentro do setor dos transportes marítimos - que pediu para não ser identificada. A cadeia de televisão norte-americana indica ainda que a informação deve ser enviada por email à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico - entidade recentemente criado pelo Irão para controlar Ormuz. 

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Ainda não é claro se alguma embarcação já procurou ter a autorização da autoridade para conseguir atravessar esta via marítima nem se o Irão continua a cobrar taxas para permitir a passagem. Desde o estalar do conflito no Médio Oriente em finais de fevereiro, têm surgido relatos que Teerão possa estar a exigir pagamentos até 2 milhões de dólares por navio para assegurar passagem segura pelo estreito. O objetivo passa por tentar encontrar uma nova fonte de financiamento para a guerra, numa altura em que a economia iraniana se encontra debilitada face à destruição causada pelos ataques dos EUA e Israel - nomeadamente a infraestruturas energéticas. 

Na quarta-feira, uma mensagem publicada nas redes sociais do líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, apelava a uma "nova ordem regional e global sob a estratégia de um Irão forte", sem lugar para estrangeiros e "as suas intrigas". O líder reforçou ainda a ideia de utilizar "a pressão exercida pelo encerramento do estreito" como uma forma de concretizar esta visão. Esta ideia vai em claro contraciclo com o que têm sido as exigências norte-americanas para acabar com o conflito e que compreendem a livre circulação no estreito de Ormuz - por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo. 

Esta mensagem surge ainda numa altura em que os - que tem mediado as negociações entre as duas partes. Além da questão de Ormuz, os norte-americanos exigem ainda o compromisso de Teerão em acabar com o enriquecimento de urânio em troca do levantamento das sanções contra a República Islâmica e a libertação de milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados. O memorando de entendimento está a ser negociado entre os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, e vários responsáveis iranianos, tanto diretamente como através de mediadores, segundo avançou a Axios na quarta-feira.

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O Presidente dos EUA tem pressionado o Irão a responder até ao final de sexta-feira à proposta, sob pena de os bombardeamentos recomeçarem no Médio Oriente. "Partindo do princípio que o Irão concorda em dar aquilo que já foi acordado – o que é, talvez, uma grande suposição – a já lendária operação Fúria Épica vai chegar ao fim e o bloqueio, altamente eficaz, permitirá que o estreito de Ormuz fique aberto a todos, incluindo ao Irão. Se não concordarem, os bombardeamentos começarão e serão, infelizmente, de um nível e intensidade muito superiores aos anteriores", escreveu Trump na plataforma Truth Social.

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