Trump exige fim de ataques entre Israel e Irão após escalada do conflito no Médio Oriente

Tel Aviv e Teerão voltaram a trocar ataques entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira, pondo em causa o frágil acordo de cessar-fogo alcançado entre Irão e EUA. Para já, Trump garante que as negociações de paz continuam a decorrer, "salvo se a ignorância ou a estupidez vierem atrapalhar".
Trump quer que Israel e Irão 'cessem imediatamente' os ataques.
Jacquelyn Martin / Associated Press
Ricardo Jesus Silva 11:47

O conflito no Médio Oriente voltou a aquecer e o Presidente dos EUA, Donald Trump, está a exigir que Israel e Irão "cessem imediatamente" os ataques, numa altura em que as negociações de paz entre Washington e Teerão continuam - apesar de uma série de pontos de discórdia estarem a deixar estas conversações, mediadas pelo Paquistão, num impasse.

"Ambas as partes, Israel e Irão, pretendem chegar a um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a 'paz'  estão a decorrer, salvo se a ignorância ou a estupidez vierem atrapalhar. O bloqueio [do estreito de Ormuz] permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que se chegue a um 'acordo final'. As coisas deverão avançar rapidamente", garantiu o líder norte-americano, numa publicação nas redes sociais.

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O apelo de Trump para os dois países acabarem com as ofensivas . Na noite de domingo, e em resposta à ofensiva lançada por Israel contra os subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, o Irão decidiu lançar uma vaga de ataques contra o país liderado por Benjamin Netanyahu. Trump ainda apelou ao primeiro-ministro israelita para não retaliar, mas o pedido acabou por se em vão e, já nesta madrugada, Tel Aviv colocou na mira uma série de alvos militares iranianos. 

A escalada continuou já no arranque da manhã desta segunda-feira com uma nova resposta por parte da República Islâmica. Por sua vez, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) já vieram a público informar que esperam que os ataques durem durante vários dias, afirmando que o país está em "total coordenação" com o Comando Central dos EUA - que estará a ajudar Tel Aviv a intercetar os mísseis disparados pelo Irão contra Israel. 

Do lado iraniano, não há para já estimativas de quanto tempo a nova fase do conflito poderá durar, mas a República Islâmica está a atribuir responsabilidade direta aos EUA pelos ataques israelitas. O porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que "as ações de Israel não podem ser desassociadas dos EUA", acrescentando que "ninguém acredita que o regime israelita tomaria qualquer medida sem coordenação com Washington. 

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As ações de Israel não podem ser desassociadas dos EUA. Ninguém acredita que o regime israelita tomaria qualquer medida sem coordenação com os EUA. Porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano

Esta troca de ataques não só representa a maior ameaça ao acordo de cessar-fogo desde que o mesmo foi alcançado a 8 de abril, como pode vir a ter consequências graves nas negociações de paz em curso entre Teerão e Washington. A nova escalda de tensões pode vir a descarrilar os esforços norte-americanos para conseguir uma nova trégua de 60 dias com a República Islâmica - um fator essencial para construir caminho para os dois países negociarem um acordo geral que ponha fim ao conflito, que já se encontra no seu quarto mês. 

As negociações continuam ainda bloqueadas pela relação entre Israel e o Líbano. - a milícia libanesa apoiada pelo Irão -, afirmando mesmo que os as duas partes deram garantias de que não se iriam atacar mutuamente, mas o acordo acabou por cair por terra rapidamente. O Irão exige que um compromisso de paz com os EUA tem de envolver o fim dos ataques no Líbano, mas Israel tem mostrado grande resistência a que isto aconteça

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Em entrevista ao Financial Times, o Presidente dos EUA negou que as exigências de Tel Aviv estejam a travar um acordo, afirmando que Netanyahu terá de aceitar qualquer compromisso alcançado entre Washington e Teerão. "Sou eu quem toma as decisões. Sou eu quem toma todas as decisões", declarou, reforçando que o primeiro-ministro israelita "não é quem toma as decisões". 

Em reação à troca de ataques, os preços do petróleo voltaram a disparar esta segunda-feira, aproximando-se dos 100 dólares por barril. A esta hora, o Brent - crude de referência para a Europa - chegou a avançar mais de 5%, tendo entretanto reduzido os ganhos para os 4%, negociando em torno dos 97 dólares. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - avança 4,5% para 94,61 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão salta 4,94% para 50,89 euros por megawatt. 

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