Trump prepara-se para taxar todos os bens chineses

O presidente norte-americano está preparado para impor novas tarifas em todos os bens importados da China em breve.
Reuters
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Negócios com Bloomberg 07 de setembro de 2018 às 19:05

O presidente norte-americano admitiu esta sexta-feira, dia 7 de Setembro, que vai "muito em breve" avançar com as tarifas sobre bens chineses avaliados em 200 mil milhões de dólares, cuja consulta pública terminou ontem. Mas não deverá ficar por aí: Donald Trump ameaçou impor taxas sobre mais 267 mil milhões de dólares, cobrindo assim todos os bens que a China exporta para os EUA.
Desde Julho que já estão em vigor tarifas sobre 50 mil milhões de dólares em bens chineses. Caso se concretizem as novas ameaças, o valor total superaria o montante de importações chinesas que chegaram aos EUA no ano passado: 505 mil milhões de dólares. Consoante a evolução das trocas comerciais com a China este ano, as novas tarifas podem vir a atingir todos os bens chineses que chegam aos EUA. As tarifas podem oscilar entre 10% e 25%.
A ameaça foi deixada por Trump no avião presidencial (Air Force One) aos jornalistas: "Detesto fazer isto, mas para lá disso [as tarifas sobre os 200 mil milhões] há outros 267 mil milhões de dólares prontos a entrar em acção de forma rápida se eu quiser". Anteriormente, o presidente norte-americano disse que as tarifas sobre os 200 mil milhões irão entrar no terreno "muito em breve", mas acrescentou depois que "depende do que aconteça", colocando o ónus na China. 
Este tem sido um tema sensível para os investidores. As bolsas norte-americanas estão a cair na sessão de hoje. O Nasdaq perde 0,21%, acumulando quatro sessões consecutivas de quedas. O S&P 500 desvaloriza 0,27% e o Dow Jones tropeça 0,49%. Neste momento continua o receio de que um agravamento da guerra comercial possa comprometer a recuperação económica. 
As autoridades chineses têm prometido uma retaliação à medida das tarifas que os EUA imponham. No entanto, as empresas norte-americanas exportam consideravelmente menos para a China, o que diminuiu os instrumentos à disposição de Pequim para responder. 
As palavras duras de Trump contrastam com a visão deixada pelo conselheiro económico da Casa Branca, Larry Kudlow, que deixou em aberto a possibilidade de haver uma solução negociada entre os EUA e a China, assinalando que as autoridades chinesas tinham de mostrar-se abertas a compromissos. 
Ontem um conjunto de empresas do sector tecnológico enviou uma carta às autoridades norte-americanas dando argumentos para que não sejam aplicadas mais tarifas. Em causa estava o encarecimento de aparelhos de telecomunicações e o passo da inovação tecnológica. Além disso, as retalhistas fizeram um apelo semelhante, criticando o pingue-pongue de tarifas entre os dois países e argumentando que esse jogo "só teve como resultado o aumento e custos" para os norte-americanos.

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