Ao minutoAtualizado há 53 min08h40

Trump ameaça destruir Irão "numa só noite". Exército israelita avisa iranianos para não viajarem hoje de comboio

Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
1/7
Foto: Aaron Schwartz/ Lusa_EPA Conferência de imprensa com o Presidente norte-americano, Donald Trump. Foto: Francisco Seco/ AP Jovem passa por complexo religioso que foi atingido por mísseis no Irão. Foto: Francisco Seco/ AP Fronteira entre o Irão e a Turquia. Foto: Aaron Schwartz/ Lusa_EPA Conferência de imprensa com o Presidente norte-americano, Donald Trump. Foto: Oded Balilty/AP Pessoas juntam-se num local atingido por um míssil em Israel. Foto: Yaha Arhab/ Lusa_EPA Um homem usa um cinto de balas ao pescoço num protesto anti-EUA e anti-Israel no Iémen. Foto: Abedin Taherkenareh Praça Valiasr, em Teerão.
08:40
Últimos eventos
há 55 min.08h39

Exército israelita avisa iranianos para não viajarem hoje de comboio

O exército israelita exortou os iranianos a absterem-se de viajar hoje de comboio, numa mensagem em persa, publicada na rede social X, que deixa entrever futuros ataques à rede ferroviária no Irão.

"Caros cidadãos, para a vossa segurança, pedimos-vos que evitem utilizar os comboios ou viajar de comboio em todo o país a partir de agora e até às 21:00, hora do Irão" (18:30 em Lisboa), escreveu o exército israelita na sua conta naquela rede social.

"A vossa presença nos comboios e nas proximidades das vias férreas coloca as vossas vidas em perigo", acrescenta a mensagem.

A ameaça ao ataque de infraestruturas civis iranianas - incluindo pontes e centrais de energia - foi esta segunda-feira reforçada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa conferência de imprensa em que reiterou o prazo dado a Teerão até às 20:00 de hoje em Washington (01:00 de quarta-feira em Lisboa) para concluir um acordo que passe pelo desimpedimento à navegação pelo Estreito de Ormuz.

Neste contexto, e segundo uma fonte israelita à CNN, "Israel aguarda a decisão de Trump sobre os próximos passos", mas tem "planos adicionais para as próximas semanas, à espera da aprovação dos Estados Unidos".

Em resposta à ameaça de Trump, Teerão avisou os Estados Unidos e os países aliados na região que esperassem o mesmo tipo de resposta.

A única via rodoviária que liga a Arábia Saudita ao Bahrein foi hoje encerrada por motivos de segurança após alertas emitidos na região, informaram as autoridades sauditas.

"O tráfego de veículos na ponte Rei Fahd foi suspenso por precaução", afirmou a Autoridade Geral da Ponte Rei Fahd, o organismo que gere este conjunto de pontes com 25 quilómetros que liga os dois países.

As declarações de Trump relativamente à possibilidade de um acordo com o Irão permitem perceber que Washington não aceitou a última contraproposta de Teerão, transmitida através do Paquistão, que consistia em 10 pontos, entre os quais se incluíam o fim das hostilidades na região, um protocolo de passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na segunda-feira que o exército israelita continua a eliminar altos funcionários, mas também a atacar fábricas iranianas, incluindo Pars Sul, a maior fábrica petroquímica do Irão.

Os meios de comunicação iranianos confirmaram ataques contra as empresas Mobin e Damavand, responsáveis pelo fornecimento de eletricidade, água e oxigénio ao complexo petroquímico de Pars Sul, que alberga as maiores reservas mundiais de gás natural.

07h55

Seul envia representante ao Médio Oriente para garantir abastecimento energético

O chefe do gabinete presidencial sul-coreano, Kang Hoon-sik, desloca-se hoje ao Médio Oriente e Ásia Central para garantir o abastecimento energético, no quadro da guerra contra o Irão e do bloqueio do Estreito de Ormuz.

Kang explicou numa conferência de imprensa em Seul que a sua delegação partirá para o Cazaquistão, Omã e Arábia Saudita para garantir importações adicionais de petróleo e nafta, face às dificuldades logísticas decorrentes do conflito no Médio Oriente.

A Coreia do Sul importa do Médio Oriente cerca de 70% do petróleo bruto que consome, e mais de 95% deste volume transita por Ormuz. O país asiático elevou recentemente para o nível 3, o segundo mais alto, o seu alerta devido à crise de segurança energética.

Kang explicou que 54% da nafta que a Coreia do Sul consome também é importada da região, sublinhando a urgência de garantir rotas alternativas de abastecimento.

O responsável destacou o acordo recente em que os Emirados Árabes Unidos (EAU) se comprometeram a fornecer 24 milhões de barris de petróleo bruto a Seul.

Além disso, indicou que o Governo está a trabalhar para garantir a segurança de 26 navios sul-coreanos que permanecem nas proximidades do estreito de Ormuz, coordenando medidas com companhias marítimas e parceiros internacionais para facilitar a sua passagem segura.

Seul tinha anunciado na véspera o envio de enviados especiais a diferentes regiões, a fim de estabilizar o abastecimento energético por vias alternativas, incluindo a Argélia e a Arábia Saudita.

Além disso, as autoridades de Seul estão a ponderar enviar cinco navios com bandeira sul-coreana para a cidade saudita de Yanbu, na costa do Mar Vermelho, o que permitiria evitar a passagem pelo Estreito de Ormuz.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na segunda-feira as ameaças de destruir infraestruturas civis, incluindo centrais de energia, no Iráo caso não se chegue a um acordo antes das 20:00 de Washington na terça-feira (00:00 TMG de quarta-feira) e Teerão continue a impedir a passagem de navios no estreito de Ormuz.

07h28

Agência Internacional de Energia prevê aceleração das energias renováveis

O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, considera que a crise energética ligada à guerra no Irão, deverá acelerar o desenvolvimento das energias renováveis, nucleares e dos veículos elétricos, segundo uma entrevista hoje publicada.

Birol considerou "haver também motivos para ser otimista", já que "a arquitetura do sistema energético mundial vai mudar" nos próximos anos, disse ao jornal francês Le Figaro.

"Isso levará anos. Não será uma solução para a crise atual, mas a geopolítica da energia será profundamente transformada", declarou o economista turco, que estima que "algumas tecnologias avançarão muito mais rapidamente do que outras", assim como alguns setores, como o dos carros elétricos, que "vão desenvolver-se".

"É o caso das energias renováveis, da energia solar e da eólica, cuja instalação é muito rápida. Haverá um recurso às energias renováveis, muito rapidamente, numa escala de alguns meses", afirmou do diretor executivo da AIE.

Para Birol, a crise deverá também "reavivar o impulso a favor da energia nuclear, incluindo os pequenos reatores modulares", enquanto alguns países poderão contar com capacidades adicionais, graças ao prolongamento da vida útil das centrais existentes.

Até lá, a curto prazo, os países terão de "utilizar a energia da forma mais prudente possível, poupando-a e melhorando a sua eficiência".

Fatih Birol, igualmente "muito pessimista", voltou a sublinhar que "o mundo nunca conheceu uma perturbação do abastecimento energético de tal magnitude".

"A crise atual é mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas", afirmou, recordando que "esta guerra está a obstruir uma das artérias da economia mundial. Não apenas o petróleo e o gás, mas também os fertilizantes, a petroquímica, o hélio e muitas outras coisas".

O mundo prepara-se para entrar num "abril negro", alertou: "O mês de março foi muito difícil, mas abril será muito pior", repetiu, após ter feito declarações semelhantes na semana passada.

"Se o estreito [de Ormuz] permanecer efetivamente fechado durante todo o mês de abril, perderemos o dobro do petróleo bruto e dos produtos refinados que em março", alertou.

"Setenta e cinco infraestruturas energéticas foram atacadas e danificadas, mais de um terço das quais foram gravemente ou muito gravemente afetadas", precisou o responsável. A reparação destas infraestruturas "levará muito tempo".

07h26

Tóquio anuncia "preparativos" para conversa com Presidente iraniano

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou hoje que decorrem "preparativos" para uma conversa telefónica com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que deverão abordar a garantia por Teerão da segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz.

"Afirmei ontem que estavam em curso preparativos para uma conversa telefónica com o Presidente iraniano", declarou Takaichi no Parlamento nipónico.

"Temos de comunicar tanto com os Estados Unidos como com o Irão, e é por isso que procuramos organizar conversas telefónicas com os presidentes de ambos os países", acrescentou, em declarações na comissão orçamental da Câmara Alta.

Tóquio anunciou hoje a libertação pelo Irão de um cidadão japonês detido desde janeiro, tendo a agência noticiosa Kyodo informado que se tratará do chefe da delegação em Teerão da emissora pública de televisão NHK.

O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, conversou por telefone na segunda-feira com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, a quem "manifestou a profunda preocupação com a prolongação da troca de ataques de retaliação (do Irão contra os países do Golfo) e reiterou a posição constante do Japão de que uma rápida desescalada da situação é de importância capital", segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês.

"Além disso, exortou o Irão a empenhar-se sinceramente nos esforços diplomáticos atualmente em curso entre os países envolvidos", acrescentou o comunicado, divulgado na segunda-feira à noite.

O Japão é o quinto maior importador mundial de petróleo, sendo que mais de 90% deste provém do Médio Oriente, bem como cerca de 10% das importações de gás natural liquefeito (GNL).

Na segunda-feira, o Presidente norte-americano Donald Trump voltou a criticar os aliados da NATO, bem como a Coreia do Sul, a Austrália e o Japão, por não terem apoiado os Estados Unidos na guerra no Irão.

Em contrapartida, sublinhou Trump, o número de tropas norte-americanas estacionadas no Japão ultrapassam os 50 mil efetivos militares.

07h25

Presidente chinês pede novo sistema energético e reforço da segurança energética

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu hoje a construção de um "novo sistema energético" e o reforço da segurança energética do país, num contexto de perturbações no fornecimento de combustíveis fósseis, causado pelo conflito no Médio Oriente.

Sem referir diretamente a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, Xi sublinhou que a China deve "acelerar o planeamento e a construção de um novo sistema energético" e reforçar a segurança, numa fase em que Pequim aposta na diversificação das fontes de abastecimento, noticiou a televisão estatal CCTV.

O chefe de Estado apelou ao desenvolvimento "ativo, seguro e ordenado" da energia nuclear e ao reforço de um sistema integrado de produção, fornecimento, armazenamento e comercialização de energia.

As declarações surgem após semanas de instabilidade no Médio Oriente, onde a guerra envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos tem afetado o tráfego marítimo e pressionado o preço do petróleo, devido ao bloqueio de facto do Estreito de Ormuz.

Segundo a CCTV, nos primeiros meses do novo plano quinquenal aprovado em março, que orienta a segunda maior economia mundial nos próximos cinco anos, a China tem acelerado a construção de infraestruturas energéticas de nova geração, com o objetivo de reforçar a cadeia de abastecimento e promover um desenvolvimento mais verde e de baixas emissões.

No final de fevereiro, a capacidade instalada de energia eólica e solar atingia 1.880 milhões de quilowatts, um aumento de 28,8% em termos homólogos, enquanto a produção elétrica a partir de fontes renováveis já representa cerca de 40% do total nacional.

Xi Jinping salientou recentemente que o carvão continua a ser a "base energética" da China, devendo desempenhar um papel de suporte.

O conflito, em escalada desde finais de fevereiro, tem incluído ataques a infraestruturas energéticas e afetado o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, em circunstâncias normais, transita cerca de 20% do petróleo mundial e aproximadamente 45% das importações chinesas de petróleo e gás.

A guerra já teve impacto direto na China, ao aumentar os custos energéticos e logísticos, levando mesmo as autoridades a intervir temporariamente nos preços internos dos combustíveis.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou recentemente que alguns navios chineses conseguiram atravessar o estreito após coordenação com as partes envolvidas.

Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

Saber mais sobre...
Saber mais Trump Irão Ameaças Ameaça Tóquio
Pub
Pub
Pub