Trump suspende ataques ao Irão e anuncia que acordo será assinado em breve

O Presidente dos EUA diz que “as discussões e pontos finais (...) foram aprovados por todas as partes envolvidas" e que “o momento e o local da assinatura do acordo será anunciado em breve". A agência Fars avançou que o Irão não aprovou qualquer texto para um acordo.
Donald Trump
Samuel Corum / POOL/LUSA_EPA
Pedro Barros Costa e Ricardo Jesus Silva 18:45

Donald Trump cancelou os ataques contra o Irão que estavam previstos para a noite desta quinta-feira, depois de dois dias de uma ofensiva que atingou vários alvos iranianos, anunciou o Presidente norte-americano nas redes sociais, referindo que o acordo com Teerão será assinado dentro de pouco tempo.   

“Com base no facto de as discussões com a República do Irão terem sido levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como Presidente dos EUA, cancelei os ataques e bombardeamentos contra o Irão esta noite”, escreveu na Truth Social.

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O Presidente norte-americano refere também que “as discussões e pontos finais, quer em conceito e grande detalhe, foram aprovados por todas as partes envolvidas”, incluindo os EUA, Israel, Arábia Saudita, EAU, Qatar, Turquia, Paquistão, Bahrain, Kuwait, Jordânia, Egito, entre outros. Pouco depois, a agência Fars noticiava que o Irão não aprovou qualquer texto para um acordo com os EUA.

Contudo, Trump refere que o bloqueio naval vai “continuar em plena força e efeito até que a transação seja finalizada” e que “o momento e o local da assinatura do acordo será anunciado em breve.

Antes, o Presidente norte-americano tinha intensificado o tom das ameaças contra o Irão, indicando que os EUA poderão tomar o controlo da ilha estratégica de de Kharg - conhecida por ser o "hub" petrolífero de Teerão - "num futuro não muito distante", o que elevaria a escala do conflito entre os dois países para o domínio da invasão teritorrial.

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Numa mensagem nas redes sociais esta quinta-feira, em que ameaçava com um terceiro ataque a alvos iranianos em outras tantas noites, Trump assinalava que, para além da ilha pela ilha de Kharg, os EUA tomariam “outros pontos da estrutura petrolífera”, assumindo o “controlo total dos seus mercados de petróleo e gás", acrescentou.

Trump comparou mesmo esta intervenção militar com o que aconteceu no arranque do ano com a Venezuela, que, diz, estar a "funcionar brilhantemente" tanto para o país da América Latina como para os EUA. No entanto, não se avizinha que o controlo da ilha de Kharg seja tão fácil de alcançar como a detenção do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, uma vez que uma intervenção desse calibre exigiria o recurso a forças terrestres norte-americanas.

No fim de semana, o abate de um helicóptero dos EUA por parte de um drone iraniano desencadeou uma troca de ataques entre Washington e Teerão, interrompendo um cessar-fogo que já durava há dois meses e que tinha sido acordado pelas duas partes - pelo menos, até ao fim das negociações para alcançar a paz no Médio Oriente. De acordo com declarações feitas esta quinta-feira pelo ministro dos Negócios estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, a mais recente ofensiva norte-americana "tornou o cessar-fogo ineficaz". 

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Em declarações adicionais à Fox News, citadas pelo The Guardian, Donald Trump informou que, na noite de quarta-feira, os EUA "lançaram bombas no valor de 250 milhões de dólares" contra o Irão, alegando que Teerão já está "em submissão - embora ainda não o saibam". "A minha preferência sempre foi tomar a ilha de Kharg... Não sei se a América tem coragem para isso", afirmou ainda. 

Durante os ataques de quarta-feira, Trump disse à Fox News que iria continuar a atacar o Irão até levar o país a assinar um acordo de paz. O líder dos EUA nem fez referência às negociações em curso, ameaçando mesmo a soberania territorial do Irão sobre a ilha de Kharg. Antes, Trump tinha dito que as partes em negociações “estavam muito próximas”, exortando os iranianos a assinarem o acordo que “têm vindo a adiar”.  

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