Proposta para prestação social única é “recuo civilizacional", diz Farinha Rodrigues
O economista e perito defende que os planos do Governo contrariam recomendações feitas ao país pela OCDE, assim como a atual estratégia de combate à pobreza da UE.
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O Parlamento debate na manhã desta sexta-feira a proposta do Governo de autorização legislativa para criação da nova prestação social única (PSU), e é esperado que em apenas dez dias conclua todo o processo de discussão e votação de uma reforma que começou a ser preparada já há cinco anos e que irá transformar os instrumentos de que o país dispõe para combater a pobreza. Não são conhecidos valores de referência para a futura prestação, determinantes para perceber que impacto as mudanças terão, mas sabe-se já que as condições de acesso serão bastante mais restritivas. Carlos Farinha Rodrigues, economista, professor e investigador do ISEG e um dos especialistas mais ouvidos na área da pobreza e das desigualdades, é também responsável pelo acompanhamento das medidas sociais do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com cujo prazo de execução o Governo argumenta para pedir urgência nos trabalhos parlamentares. Para Farinha Rodrigues, não há justificação para que só agora a reforma seja apresentada aos deputados na forma de um "cheque em branco".