Aliados dos EUA não ajudarem no estreito de Ormuz "será muito mau para o futuro da NATO", diz Trump
Em entrevista ao FT, o Presidente dos EUA sublinhou que a Europa e a China estão muito dependentes do petróleo que passa pela região.
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Donald Trump alertou que a NATO enfrenta um futuro “muito mau” se os aliados dos EUA não ajudarem a abrir o estreito de Ormuz. Em entrevista ao Financial Times, o Presidente dos EUA avançou ainda que poderá adiar a sua cimeira com o presidente chinês, Xi Jinping, ainda este mês, enquanto pressiona Pequim para ajudar a desbloquear a via que é crucial para o comércio global.
“É apropriado que as pessoas que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal acontece lá”, disse Trump ao FT, argumentando que a Europa e a China são altamente dependentes do petróleo do Golfo, ao contrário dos EUA. “Se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, penso que será muito mau para o futuro da NATO”, acrescentou.
Apesar do alerta, Trump mostrou-se pessimista quanto à possibilidade de os aliados dos EUA acederem aos seus pedidos de ajuda. “Temos uma coisa chamada NATO. Fomos muito simpáticos. Não precisávamos de os ajudar com a Ucrânia. A Ucrânia está a milhares de quilómetros de distância de nós... Mas nós ajudámo-los. Agora vamos ver se eles nos ajudam. Porque eu tenho dito sempre que estaremos lá para eles, mas eles não estariam para nós. E não tenho a certeza se esteja”, afirmou.
A entrevista surge um dia depois de o líder norte-americano ter apelado à China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para se juntarem a um “esforço conjunto” para abrir o ponto de estrangulamento por onde passa um quinto do petróleo mundial. Apesar de o Irão alegar que o estreito não está fechado, na prática a via está paralisada desde que os EUA e Israel iniciaram ataques ao país, a 28 de fevereiro.
Trump disse que também esperava que a China ajudasse a desbloquear o estreito antes da sua viagem a Pequim no final deste mês para a cimeira com Xi Jinping, a sua primeira viagem à China no seu segundo mandato. "Penso que a China também devia ajudar, porque 90% do seu petróleo vem do Estreito", afirmou, acrescentando: "Gostaríamos de saber antes disso. Duas semanas é muito tempo", disse o tempo até à viagem. No entanto, "podemos adiar", admitiu, sem especificar por quanto tempo.
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