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Exportações da China tomam mundo de assalto após tarifas dos EUA

Os bloqueios de Trump às exportações chinesas não estão a surtir o efeito desejado. Com as tarifas elevadas para os EUA, a China está a apoiar-se em outras economias para escoar produtos e fazer crescer o seu excedente comercial.

Exportações da China tomam mundo de assalto após tarifas dos EUA
Exportações da China tomam mundo de assalto após tarifas dos EUA Wan SC / FeatureChina / AP
23 de Setembro de 2025 às 13:10

As tarifas de Donald Trump estão a mostrar-se benéficas para a China. O motor económico chinês registou um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares (1,01 biliões de euros, à taxa de câmbio atual), impulsionado pelas exportações registadas nos últimos cinco meses, ou seja, desde que Trump começou a aplicar tarifas ao mundo. 

Pequim é o parceiro comercial de mais de metade das economias mundiais, pelo que as pesadas taxas do presidente dos Estados Unidos da América (EUA) apenas estão a implicar o desvio das encomendas para outros pontos do globo.

De acordo com a Bloomberg, as compras da Índia à China atingiram um recorde histórico em agosto e as encomendas para África estão perto de um novo recorde anual. As vendas para o Sudeste Asiático também aceleraram e ultrapassaram o pico registado na pandemia, já superando os 600 mil milhões de dólares (508 mil milhões de euros).

Os mesmos dados recolhidos pela publicação evidenciam que as exportações destinadas à União Europeia também estão a crescer, depois de um declínio entre 2023 e 2024, aproximando-se agora dos 508 mil milhões de euros. Também para as exportações para a América Latina estão a aumentar e já ascendem a quase 300 mil milhões de dólares (253 mil milhões de euros).

Contudo, os países estão a sofrer pressão dos EUA para aplicar sanções à China, especialmente comerciais. Até agora, apenas o México escolheu reagir com tarifas flutuantes de até 50%, onde estão incluídos automóveis e aço, enquanto as autoridades indianas têm vindo a receber pedidos para investigar o "dumping" de mercadorias da China. 

A Bloomberg nota que os países envolvidos em negociações com Trump estão relutantes em travar uma segunda guerra com a China, o que tem permitido que Pequim encontre alternativas para as encomendas que tinham os EUA como destino e, simultaneamente, aumentar a sua exposição comercial com o resto do mundo, além de favorecer o crescimento anual do país. 

"Alguns países podem não querer ser vistos como colaboradores de um colapso no sistema de comércio global. Alguns também podem reter a aplicação de tarifas contra a China para oferecê-las como concessões aos EUA durante suas próprias negociações comerciais", afirma Christopher Beddor, responsável de investigação da China na Gavekal Dragonomics, à publicação.

Ainda que Pequim esteja a ser poupado por alguns países, há quem esteja a aplicar outras tarifas. A União Europeia, por exemplo, aplicou taxas até 35,3% à importação de veículos elétricos da China, depois de uma investigação ter concluído a existência de subsídios ilegais por parte da economia asiática.

Há outras economias que também estão a atingir os fabricantes de automóveis elétricos, enquanto outros olham para as plataformas de comércio online, nomeadamente a Temu, Shein e AliExpress, depois do número de utilizadores mensais e encomendas dispararem.

Mesmo com estes desafios alfandegários, vários economistas apontam que a China deve superar o excedente comercial de um bilião de dólares alcançado no ano passado.

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