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Democratas avançam com impeachment na última semana de Trump na Casa Branca

A última semana de Trump na Casa Branca promete ser agitada. O ainda presidente dos EUA deverá optar por uma postura desafiadora e a Câmara dos Representantes deverá votar o  impeachment na terça-feira.

Donald Trump autoproclamou-se vencedor na noite eleitoral e durante o dia seguinte foi escrevendo tweets questionando a contagem de votos.
Chris Kleponis/EPA
Negócios jng@negocios.pt 10 de Janeiro de 2021 às 18:29
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Promete ser agitada a última semana de Donald Trump na Casa Branca. Com o presidente dos Estados Unidos cada vez mais isolado, os democratas estão a acelerar o seu processo de "impeachment", que pode ser votado na Câmara dos Representantes já esta terça-feira.

 

Ao mesmo tempo que cresce a pressão para Trump ser forçado a sair do cargo, o ainda presidente dos EUA deverá optar por uma postura desafiadora nos últimos dias do seu mandato.

 

Depois de ter sido banido das redes sociais e abandonado por vários membros da sua administração, a Bloomberg falou com pessoas do círculo mais próximo de Trump, que dão conta que os próximos dias poderão ser agitados.

 

O ainda presidente dos Estados Unidos pretende reforçar as principais bandeiras do seu mandato, por isso fará na terça-feira uma viagem ao Texas, junto à fronteira com o México, onde foi construído parte do muro que prometeu antes das eleições que o levaram à Casa Branca.

 

Trump deverá também avançar com mais medidas contra as grandes tecnológicas, o que poderá ser visto como uma vingança pelo facto de o terem banido das redes sociais na sequência da invasão do Capitólio por parte dos seus apoiantes.

 

Segundo a agência de notícias, Trump não crê que o seu número 2, Mike Pence, avance com a 25.ª Emenda para o afastar da Casa Branca antes da tomada de posse de Biden a 20 de janeiro. Isto apesar de o vice-presidente, segundo relataram alguns republicanos, ter ficado furioso pelo facto de Trump o ter acusado de "falta de coragem" por não ter bloqueado a confirmação da vitória de Biden no Congresso.

 

Pence e Trump não falam desde quarta-feira, o dia dos graves  incidentes no Capitólio, que motivaram os democratas a avançar com a segunda tentativa de "impeachment" do presidente dos Estados Unidos.

 

Trump também desvaloriza este cenário,  não crendo que terá hipóteses de passar no Senado, que é controlado por republicanos e bloqueou a primeira tentativa em 2019.

 

Mas há cada vez mais republicanos que não perdoam Trump por ter sido o responsável moral da invasão do Capitólio e entre os democratas a pressão para o "impeachment" avançar é cada vez maior. Por isso, estão a fazer tudo para que a Câmara dos Representantes possa votar o "impeachment" já esta terça-feira.  

 

Esta votação servirá como um "castigo" para Donald Trump, sendo que depois o envio para o Senado poderá ser adiado. Por um lado os democratas não querem "contaminar" a tomada de posse e os primeiros dias de Biden na Casa Branca. E por outro lado sabem que não há tempo para terminar o processo de "impeachment" antes de dia 20.

 

"Se somos a Câmara do Povo, vamos fazer o trabalho do povo e votar para afastar este presidente", disse  James E. Clyburn, número 3 dos democratas da Câmara dos Representantes. "O Senado decidirá depois o que quer fazer com o ‘impeachment’".

 

Um dos cenários em cima da mesa poderá passar por aprovar o "impeachment" e só o enviar para o Senado 100 dias depois da posse de Biden. Só quando receber o "impeachment" da Câmara dos Representantes é que o Senado poderá iniciar o julgamento de Trump.

 

"Vamos dar ao Presidente Eleito Biden os 100 dias que necessita para colocar em prática a sua agenda", acrescentou o democrata à CNN. "Talvez depois disso podemos enviar" o processo para o Senado.

 

Mesmo que o "impeachment" siga com urgência para o Senado, a Câmara Alta do Congresso só reúne a 19 de janeiro e o processo só avançaria de forma célere com o consentimento de todos os 100 senadores. Um cenário se que prevê difícil pois Trump ainda mantém apoiantes entre os republicanos.

 

Contudo, se o "impeachment" acabar por ser aprovado, Trump fica automaticamente arredado das próximas eleições presidenciais.

 

O pedido de "impeachment" de Trump já foi assinado por 195 dos 222 democratas com assento na Câmara dos Representantes e tem o apoio de cada vez mais republicanos. Patrick J. Toomey, da Pensilvânia, tornou-se no segundo senador republicano a apelar à demissão de Trump. Mick Mulvaney, que foi assessor de Trump e um seu apoiante de longa data, reconheceu que se ainda tivesse o seu lugar na Câmara dos Representantes iria aprovar o "impeachment", acreditando que no seu partido muitos membros farão o mesmo.

 

A última semana de Trump na Casa Branca promete ser agitada e pode acabar com humilhação para o ainda presidente, caso o "impeachment" seja aprovado por uma maioria esmagadora na Câmara dos Representantes, mesmo que tal acabe por não ter efeitos práticos.

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