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França quer intervir na Síria mas só se for acompanhada

Hollande quer avançar contra o regime sírio e propõe-se discutir no Parlamento esta questão, mas garante não necessitar de nenhum tipo de aprovação.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 02 de Setembro de 2013 às 15:25
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O Presidente da República francês, François Hollande, assumiu uma posição de força. Já afirmou que pretende intervir militarmente na Síria e assegura, agora, não pretender qualquer tipo de aprovação, ou legitimação, da sua decisão pelo Parlamento francês.

 

De acordo com o “Le Fígaro”, Hollande depara-se com a oposição da direita e dos próprios ecologistas, seus aliados. O Parlamento pretende discutir uma eventual acção militar na Síria, mas Hollande refugia-se na Constituição, que garante total autonomia ao Presidente francês no que diz respeito a declarações de guerra e intervenções militares. Aceita um debate sobre a questão, marcado para a próxima quarta-feira, no Parlamento, mas não pretende avançar para nenhuma votação que possa configurar, de alguma forma, maior legitimidade política à decisão do Presidente francês. 

 

Esta posição de Hollande deixa-o como o único líder, entre os países Aliados, a dispensar uma autorização parlamentar sobre a situação na Síria. David Cameron, primeiro-ministro inglês, levou uma acção militar, contra Assad, a votação na Câmara dos Comuns. Perdeu, inclusivamente com os Conservadores e os Liberais a votarem contra a sua resolução. Foi a primeira vez, na era moderna, que um primeiro-ministro inglês não viu confirmada a sua autonomia decisória sobre questões relacionadas com actos de guerra.

 

Entretanto, de acordo com o “Guardian”, o Governo inglês, pela voz do porta-voz, Andrew Mitchell, “coloca de parte” uma nova votação, no Parlamento, sobre a Síria. Esta decisão vem no seguimento da última sondagem da “BBC” que revela que aproximadamente três quartos da população inglesa se opõe a uma operação militar contra Damasco.

 

O Presidente americano, Barack Obama, confirmou, no passado sábado, que pretende e “já decidiu” intervir militarmente na Síria. Porém, revelou que irá discutir uma eventual intervenção no Congresso americano logo que este retome os trabalhos. Aguarda-se a discussão para o próximo dia 9 de Setembro.

 

Até lá, Hollande terá de aguentar pressões internas e externas depois da sua tomada de posição. O Presidente francês assumiu o lugar de “falcão” quando decidiu uma posição de liderança internacional contra Assad. Numa altura em que a popularidade de Hollande atinge valores mínimos, esta postura de força indicia uma mudança de perfil do Presidente francês.

 

Todavia, a posição radicalizada de Hollande já foi atenuada, de acordo com a Reuters, pelo ministro do Interior, Manuel Valls, ao assumir que “a França não pode agir sozinha”, tendo acrescentado que “precisamos de uma coligação”. O primeiro-ministro de França, Jean Marc Ayrault, irá apresentar provas, ainda durante esta segunda-feira, aos principais responsáveis parlamentares, sobre os alegados ataques com recurso a armas químicas.

 

Esta discussão internacional prende-se com os bombardeamentos, com eventual recurso a armamento químico, perpetrados no dia 21 de Agosto. Estados Unidos, França e Inglaterra, entre outros, têm acusado o regime de Assad como responsável pelos ataques. O jornal espanhol “ABC” noticia, esta segunda-feira, que poderão ter sido os grupos rebeldes sírios, os responsáveis pelos ataques de dia 21. O “ABC” revela que segundo depoimentos, de rebeldes sírios, recolhidos por Dave Gavlak, freelancer ao serviço da agência “Associated Press”, foram aqueles que por “acidente” desencadearam o ataque, uma vez que desconheciam tratar-se de armamento químico. Estas armas teriam proveniência da Arábia Saudita, que detém interesses na derrota e queda de Assad, acrescenta a notícia. 

 

Neste momento continuam a esgrimir-se vários pontos de vista quanto à atribuição de responsabilidades relativas ao recurso a armas químicas. A única certeza que se mantém, será a garantia de que no ataque nos arredores de Damasco foi utilizado gás sarin. Segundo o “New York Times”, desta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, rejeita a credibilidade das provas até agora apresentadas pelos Aliados ocidentais.

 

“Foram-nos mostradas determinadas provas que não contêm nada de concreto, nem locais, nem nomes, ou sequer evidências que comprovem que as amostras foram recolhidas por profissionais”, acusou Lavrov. Acrescentou ainda que “aquilo que nos foi mostrado por americanos, britânicos e franceses não nos convence de forma nenhuma”, sugerindo, desta forma, que o poder de veto que a Rússia detém no Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá ser usado caso uma resolução, que implique uma intervenção militar na Síria, seja apresentada. 

 

(Notícia actualizada às 16h45 com a posição da Rússia)

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