Mundo Há sinais financeiros alarmantes um pouco por toda a China

Há sinais financeiros alarmantes um pouco por toda a China

A China está a dar alguns sinais de fragilidade económica, numa altura em que os números do PIB têm vindo a evidenciar um abrandamento.
Há sinais financeiros alarmantes um pouco por toda a China
Negócios com Bloomberg 29 de novembro de 2019 às 08:34

Desde a dívida crescente da parte dos consumidores até à saúde financeira dos bancos: os sinais de stress financeiro na China amontuam-se.

As autoridades estiveram, até agora, relutantes em ajudar os credores em apuros e em aumentar os estímulos, estando o nível de incumprimento a subir e o abrandamento também a aumentar.

Um dos maiores desafios atuais para a economia chinesa tem sido a deterioração da saúde financeira dos pequenos credores e das empresas estatais regionais, cujos elos financeiros podem provocar uma espiral descendente sem a ajuda de Pequim.

Ao mesmo tempo, a confiança nos bancos mais pequenos tem encolhido desde maio, quando os legisladores tomaram conta de uma destas instituições e decretaram perdas no caso de outros credores. Desde essa altura, as autoridades chinesas já tiveram de intervir para evitar duas corridas aos bancos e dois resgates.

No relatório anual de estabilidade financeira que é elaborado pelo banco central chinês, a entidade descreveu 586 dos 4.400 credores no território chinês como de "alto risco", acima do verificado no ano anterior.

No mesmo documento, o banco também sublinha os perigos associados ao crescente endividamento dos consumidores: a dívida das famílias em percentagem do rendimento disponível subiu de 93,4% em 2017 para 99,9% em 2018. Já a dívida das empresas está em níveis recorde, e em 2018 cifrou-se em 165% do PIB chinês.

Os legisladores estão a fazer o mínimo indispensável para manter a economia no caminho certo, analisa um economista do Goldman Sachs, em declarações à Bloomberg.

Também há sinais positivos: esta semana, a procura excedeu a oferta na venda de 6 mil milhões de dólares em dívida chinesa, muito tendo em conta o recente otimismo quanto ao avançar de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China. Os pequenos credores também parecem estar a beneficiar de um melhor momento de financiamento, tendo em conta os spreads face aos pares de rating AAA. Contudo, a volatilidade continua neste mercado: uma queda esta sexta-feira na bolsa de Hong Kong contagiou a restante China, com o Hang Seng China Enterprise a ilustrar o nervosismo com uma queda de 2,6%.

Olhando ao termómetro do geral da economia, os números do PIB, a China continua a moderar o crescimento. No terceiro trimestre, não só voltou a abrandar, como ainda desiludiu os analistas e repetiu a proeza de registar o nível de crescimento mais baixo em quase 30 anos. O produto interno bruto (PIB) da China aumentou 6% nos três meses entre julho e setembro, quando comparado ao período homólogo. Este é o ritmo de crescimento mais baixo desde o início dos anos 90 e fica abaixo do consenso avançado anteriormente pelos analistas consultados pela Bloomberg e pela Reuters, de 6,1%.




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