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Plano de estímulos gigante de Biden sinaliza nova luta no Senado

Se a aprovação do pacote de Biden não chegar até meados de março, os mercados acionistas podem ser derrubados. Na semana passada atingiram um recorde devido às expectativas de que o controlo do Senado pelos democratas resultará em novos estímulos de peso.

Bloomberg 12 de Janeiro de 2021 às 18:17
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O plano do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, de aprovar um pacote de estímulos económico de vários biliões de dólares no início de seu governo enfrenta desafios com um Senado dividido, e um possível processo de impeachment de Donald Trump pode adiar ainda mais o objetivo.

 

Biden deve divulgar as suas propostas – o valor ainda não foi divulgado - na quinta-feira. O pacote contará com apoio para autoridades estaduais e locais por muito tempo bloqueado pelos republicanos, aumento dos pagamentos diretos para 2 mil dólares por pessoa e maiores benefícios de desemprego, em conjunto com financiamento para distribuição de vacinas, reabertura de escolas, créditos fiscais, redução de rendas e ajuda para pequenas empresas.

 

Partes do projeto de lei de alívio de 900 mil milhões de dólares aprovado do mês passado começam a esgotar-se em meados de março e podem não ser suficientes para evitar uma retração da economia neste trimestre, já que o coronavírus continua a propagar-se e a causar um número recorde de mortes.

 

Se a aprovação do pacote de Biden não chegar até meados de março, os mercados acionistas podem ser derrubados, depois de terem atingido um recorde na semana passada devido às expectativas de que o controlo do Senado pelos democratas resultará em novos estímulos de peso.

 

As apostas destacam o risco de prosseguir com o impeachment do presidente Trump. O Senado só retoma os trabalhos a 19 de janeiro, e um processo de impeachment teria prioridade na agenda. Democratas da Câmara dos Representantes pretendem aprovar o artigo para o impeachment esta semana, mas querem esperar para enviá-lo ao Senado de modo a permitir que o pacote de estímulos tenha prioridade no calendário legislativo.

 

Muitos elementos do plano de Biden devem ser extraídos da Lei dos Heróis de 3,4 biliões de dólares, de autoria dos democratas da Câmara dos Representantes, que foi aprovada em maio e bloqueada pelo Senado controlado então pelo Partido Republicano.

 

Assessores económicos e políticos de Biden passaram os últimos dias a trabalhar na dimensão do pacote e nos seus vários elementos. Os assessores ainda pesam o desejo de gastar para ajudar o maior número possível de americanos contra a viabilidade política de aprovar outro projeto de lei no Congresso, mesmo sob controle dos democratas.

 

O senador Chuck Schumer deve ser o líder da maioria com o controlo mais simples da casa, com 50 para cada lado. Democratas mais avessos a défices de estados conservadores, como Joe Manchin, de West Virginia, e Jon Tester, de Montana, terão o mesmo peso de progressistas como o esquerdista Bernie Sanders.

 

Na sexta-feira, Biden destacou que o atual nível historicamente baixo das taxas de juro permite medidas para reforçar as perspectivas de crescimento de curto e longo prazo. Em última análise, "reduziria o peso da dívida nacional", disse.

 

As expectativas dos bancos de Wall Street para a próxima ronda de estímulos ficam bem aquém do marco de vários biliões de dólares de Biden. As projeções do JPMorgan Chase estão na ponta mais alta, em 900 mil milhões, enquanto os números do Goldman Sachs apontam para 750 mil milhões.

Outros são ainda mais contidos. Os economistas do UBS estimam que qualquer novo pacote de ajuda contra a Covid-19 após a posse de Biden ficará em torno de 500 mil milhões de dólares.

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