Portas no Parlamento para explicar incidente com Evo Morales
Paulo Portas vai comparecer no Parlamento para uma audição requerida pelo PCP sobre o incidente que envolveu o avião do presidente boliviano, Evo Morales. A presença do ainda ministro dos Negócios Estrangeiros foi confirmada ao Negócios pelo presidente da respectiva comissão parlamentar, Alberto Martins.
Na passada sexta-feira, a Assembleia da República rejeitou os votos de condenação do PCP e do BE e o voto de protesto do PS pela proibição de aterragem do avião do Presidente da Bolívia em Portugal.
Na segunda-feira, a Bolívia convocou a embaixadora de Portugal, Helena Almeida Coutinho, bem como os embaixadores de França, Espanha e Itália para que estes expliquem o incidente, na semana passada, com o avião do presidente Evo Morales.
A ministra da Comunicação da Bolívia afirmou em conferência de imprensa que os diplomatas foram convocados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para darem explicações sobre o ocorrido. “Esta convocatória tem como objectivo expressar o nosso protesto oficial aos governos desses países acerca do sucedido”, disse a ministra, citada pela EFE.
O presidente boliviano, que regressava a La Paz após uma viagem à Rússia, foi obrigado a uma escala forçada de 13 horas em Viena, na terça-feira à noite, depois dos quatro países terem recusado o sobrevoo do seu território ou a aterragem para uma escala técnica do avião de Morales.
Na própria noite do incidente, o chefe da diplomacia boliviana, David Choquehuanca, afirmou em conferência de imprensa que essa recusa foi suscitada por “suspeitas infundadas” de que Edward Snowden, ex-consultor da CIA acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estaria a bordo.
O MNE português afirmou em comunicado que a aterragem em Portugal, solicitada para o percurso de regresso Moscovo/La Paz, foi “cancelada por considerações técnicas”.
Nas ruas de La Paz, centenas de pessoas manifestaram-se ontem contra os quatro países envolvidos no incidente diplomático com a Bolívia.
Evo Morales anunciou no passado sábado que, se Snowden quiser, a Bolívia está disposta a conceder-lhe asilo político, em retaliação à ‘ofensa’ que recebeu dos países europeus. Também a Venezuela e Nicarágua já se mostraram disponíveis para receber o antigo consultor da CIA.