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Violência regressa ao Rio de Janeiro em protestos contra aumentos nos transportes

Um novo protesto realizado na segunda-feira no Rio de Janeiro contra os aumentos dos tarifários dos autocarros municipais acabou em violência entre manifestantes e forças policiais, informou a comunicação social brasileira.

brasilmanif
brasilmanif Reuters
11 de Fevereiro de 2014 às 01:29

Cerca de mil pessoas desfilaram durante três horas pelas principais artérias do centro da cidade e, no final, segundo a rede Globo, um grupo e a polícia confrontaram-se até ser lançado gás lacrimogéneo sobre os manifestantes.

Este grupo tinha queimado de forma simbólica um torniquete usado nos acessos dos passageiros aos autocarros junto à sede da Fetranspor, que aglomera as empresas de transportes públicos do Rio de Janeiro.

Os manifestantes renderam ainda homenagem a Santiago Andrade, um operador de câmara atingido por um engenho pirotécnico durante um protesto similar na quinta-feira, e que na segunda-feira recebeu um diagnóstico de morte cerebral.

As tarifas de autocarro aumentaram de 2,75 reais (0,83 euros) para três reais (0,91 euros), o que motivou os protestos desde o início do ano.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, lamentou na segunda-feira a morte de Santiago Andrade, afirmando que a liberdade de manifestação "nunca" pode ser usada para matar. "A liberdade de manifestação é um princípio fundamental da democracia e nunca pode ser usada para matar, ferir, agredir e ameaçar vidas humanas, nem para destruir património público ou privado", afirmou a chefe de Estado brasileira num conjunto de mensagens na rede social Twitter.

Dilma Rousseff afirmou que ficou "entristecida" com a morte de Santiago Andrade, considerando que "não é aceitável que manifestações democráticas sejam desvirtuadas por quem não tem respeito pela vida humana". No mesmo conjunto de mensagens, Rousseff anunciou que ordenou à Polícia Federal que apoie as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) também lamentou a morte do profissional de comunicação social. "Mais do que nunca, a RSF exorta as forças de ordem e os participantes em manifestações a respeitarem o trabalho dos jornalistas que fazem a cobertura [jornalística] dos movimentos populares", assinalou a organização de defesa da liberdade de imprensa, num comunicado.

A RSF pediu igualmente às autoridades brasileiras "medidas fortes", a poucos meses do Mundial de Futebol, apelando ainda para que tudo seja feito para identificar e sancionar os responsáveis pela morte, "com o fim de prevenir a impunidade".

O operador de câmara, funcionário da emissora Bandeirantes, estava a registar imagens de confrontos entre polícias e manifestantes quando foi atingido por um objecto pirotécnico, na quinta-feira passada. O profissional foi socorrido e transportado para o hospital, onde foi submetido a uma cirurgia. Desde então, Santiago encontrava-se em coma induzido, ligado a aparelhos de suporte de vida. As autoridades detiveram no domingo um manifestante suspeito de estar envolvido no incidente.

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