Banco de Inglaterra sobe juros pela segunda vez

É a segunda subida em menos de um ano. O nível dos juros regressam assim a 2009.
Reuters
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Tiago Varzim 02 de agosto de 2018 às 12:01

O Banco de Inglaterra decidiu esta quinta-feira, dia 2 de Agosto, aumentar os juros pela segunda vez para os 0,75% por decisão unânime. A primeira subida tinha acontecido em Novembro do ano passado, após dez anos em que os juros mantiveram-se em níveis historicamente baixos. Este é um voto de confiança do governador Mark Carney na evolução da economia, ainda que o Brexit esteja aí à porta.
Os juros ficam assim no nível mais elevado desde 2009, um dos anos do pico da crise financeira internacional. Na decisão, Mark Carney assinala que "no futuro quaisquer subidas dos juros deverão ser feitas de forma gradual e até um certo ponto", referindo ainda que a normalização da política monetária é o caminho adequado para levar a inflação para um nível perto de 2%. 
Em reação, a libra perdeu terreno para o dólar com uma desvalorização de 0,24% para os 1,3096 dólares. Já os juros aliviaram ligeiramente: menos 1,8 pontos base para os 1,362% nos juros britânicos a dez anos.
A maioria dos economistas (83%) consultados pela Bloomberg esperava um aumento de 0,25 pontos percentuais para os 0,75%. Contudo, poucos acreditavam que a decisão fosse unânime, apostando numa divisão de 7 "sim" para 2 "não". 
Na primeira estimativa, o crescimento económico no primeiro trimestre, em cadeia, apontava para uma desaceleração para 0,1%. O número foi revisto em alta para 0,2%, mas ainda assim ficou aquém dos valores dos trimestres anteriores. Estes dados tinham tirado a confiança na recuperação económica ao Banco de Inglaterra que em Maio decidiu manter os juros inalterados.
As opiniões dividem-se entre quem acha que a economia inglesa já ultrapassou a desaceleração do primeiro trimestre e quem acha que as tensões comerciais e a incerteza das negociações do Brexit - cujo período de transição começa em Março do próximo ano - são motivos suficientes para não aumentar "o preço do dinheiro". Com esta decisão, o Banco de Inglaterra parece inclinar-se para a primeira visão uma vez que também espera uma aceleração no segundo trimestre para 0,4% em cadeia. Além disso, a taxa de desemprego está em mínimos desde 1970.
O desafio de subir os juros sem afectar a economia tem sido o tema de discussão internacional sobre a política monetária. Ontem, a Fed decidiu manter os juros inalterados. No entanto, as subidas do outro lado do Atlântico já vão mais adiantadas uma vez que estão no intervalo de 1,75% a 2%. Este ano já houve duas subidas e estima-se que possa haver mais duas até ao final do ano. 
Já o Banco Central Europeu garantiu que os juros vão ficar nos níveis actuais "pelo menos ao longo do Verão de 2019  e, em qualquer caso, por quanto tempo for necessário para assegurar que a evolução da inflação permanece alinhada com as actuais expectativas de um ajustamento sustentado".
(Actualizado às 12h37 com a reação dos mercados)

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