Centeno fora da corrida a vice do BCE, croata Vujcic eleito

Governador do banco central da Croácia, Boris Vujcic, será o número dois de Christine Lagarde, com o leste europeu a ganhar assim um lugar na comissão executiva da autoridade monetária do euro.
O ex-governador do Banco de Portugal já tinha admitido dificuldades em ser eleito.
António Pedro Santos / Lusa
Maria Caetano 19 de Janeiro de 2026 às 17:22

Mário Centeno ficou fora da corrida à vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), tendo sido uma das quatro candidaturas retiradas no processo de votação para a escolha do sucessor de Luis de Guindos na reunião do Eurogrupo que decorreu nesta segunda-feira e que acabou disputada entre Croácia e Finlândia, com a escolha final dos governos do euro a recair no croata Boris Vujcic.

A informação foi avançada pela agência Bloomberg, segundo a qual saíram da corrida o candidato português, assim como o letão Martins Kazaks, tal como Centeno indicado pelo Parlamento Europeu para o lugar. Os candidatos da Estónia, Madis Muller, e da Lituânia, Rimantas Sadzius, também ficaram fora, com Olli Rehn, pela Finlândia, e Boris Vujcic, da Croácia, no lote final de candidatos.

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A desistência do nome de Mário Centeno pelo Governo português nas rondas de votações ocorreu depois de o ex-ministro das  Finanças português, antigo presidente do Eurogrupo e ex-governador do Banco de Portugal ter admitido a falta de "alinhamento" entre os grandes países do bloco da moeda única como um dos obstáculos à sua escolha, em declarações ao jornal Público, ao mesmo tempo que considerava que a "fragmentação política" vivida na Zona Euro também colocaria obstáculos a que os governos nacionais coincidissem com a indicação dada pelos eurodeputados. 

Também à entrada para a reunião do Eurogrupo, ao início da tarde, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, antecipava já uma "eleição muito difícil" para Mário Centeno. "O próprio Mário Centeno já o disse. Esta é uma eleição muito difícil. São seis candidatos. O lugar foi ocupado por um português até há oito anos (Vítor Constâncio) e há equilíbrios regionais que são considerados", afirmou.

Além de Vítor Constâncio, ocuparam já igualmente o cargo outros dois representantes dos países do Sul da Europa: o grego Lucas Papademos e, nesta última fase, o espanhol Luis de Guindos, que está de saída. 

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Boris Vujcic, com 61 anos, é desde 2012 o governador do banco central da Croácia, tendo conduzido o país à entrada na Zona Euro, em 2023. De acordo com a nota biográfica oficial, Vujcic é natural de Zagreb, onde concluiu doutoramento e lecionou na Faculdade de Economia. Foi conselheiro externo da Comissão Europeia para a política monetária e liderou o departamento de estudos do banco central da Croácia de 1996 a 2000, ano em que foi indicado para vice-governador da instituição. 

Antes de conduzir a adesão da Croácia à Zona Euro, Boris Vujcic foi um dos negociadores para a entrada do país do Adriático na União Europeia, em 2013.

Vujcic é tido como moderado defensor de uma política monetária mais restritiva. Ao longo do ano passado, deu entrevistas nas quais aconselhou contra novos cortes nas taxas de juro diretoras do euro em caso de desvios da inflação abaixo da meta de 2% da política monetária do BCE. Em novembro, voltou a considerar que a autoridade monetária do euro apenas deve voltar a reduzir juros num cenário em que se verifique a persistência de níveis de inflação baixos sem perspetiva de recuperação para o alvo de estabilidade de preços de 2%, ao mesmo tempo que desaconselhava uma "micro-gestão" da política monetária.

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Alterado às 19h09, corrigindo a data em que Boris Vujcic assumiu o cargo de vice-governador do Banco Nacional da Croácia.

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