Trump critica política de subida de juros da Fed

O presidente dos Estados Unidos "não está entusiasmado" com a política monetária da Reserva Federal norte-americana assente no aumento gradual de juros. Para Donald Trump, um dólar forte prejudica a economia norte-americana.
Jornal de Negócios
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David Santiago 19 de julho de 2018 às 19:29

Donald Trump abriu uma nova frente de batalha, desta vez contra a Reserva Federal dos Estados Unidos e respectivo líder, Jerome Powell. Em entrevista concedida esta quinta-feira à estação CNBC, o presidente norte-americano assume que "não está entusiasmado" com a política de aumento gradual dos juros seguida pela Fed que teme poder colocar em causa a recuperação da maior economia mundial.

Apesar do perfil virulento de Trump, a CBNC não deixou de salientar que as críticas dirigidas pelo residente na Casa Branca à Fed é inusitada, uma vez que por norma o presidente em funções dos EUA não critica publicamente decisões adoptadas pelo banco central nem tenta interferir nas mesmas.

Depois de já ter decretado dois aumentos dos juros em 2018, a Fed planeia promover mais duas subidas do custo do dinheiro, assim a economia continue a mostrar sinais de robustez.

Ainda esta quinta-feira, um relatório do banco central (Livro Bege) notava que a evolução favorável do mercado de trabalho norte-americano assim como a tendência demonstrada pela inflação reforçam a expectativa de novas subidas da taxa de juro directora.

Mas apesar das críticas, Donald Trump fez questão de elogiar Jerome Powell, a escolha do presidente americano para suceder a Janet Yellen. Para Trump, sempre que há uma subida dos juros a Fed pretende logo voltar a decretar um novo aumento. "Não estou satisfeito com isso. Mas, ao mesmo tempo, estou a deixá-los fazer o que pensam ser melhor", atirou.

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Durante a entrevista, Donald Trump reconheceu não ser prática comum o presidente dos EUA criticar abertamente a Fed, contudo, afiança estar somente a dizer "aquilo que diria enquanto cidadão" e assegura que se está a "marimbar" para eventuais críticas.

Porém, antes de chegar à Casa Branca o empresário Trump criticou a Reserva Federal por persistir com os juros em mínimos históricos – política acomodatícia seguida para responder à crise financeira de 2007-2008 -, considerando que tal poderia criar uma bolha. Três meses depois de tomar posse como presidente dos EUA, Trump inverteu o discurso admitindo gostar de uma "política de taxas de juro baixas".

Donald Trump considera que a Reserva Federal está em contraciclo com outras autoridades monetárias como o Banco Central Europeu ou o Banco do Japão, que mantêm os juros em níveis historicamente baixos, o que cria uma "desvantagem" para os EUA. Desde Dezembro de 2016, a Fed iniciou uma política de normalização dos juros, tendo promovido seis subidas desde então.

As declarações de Trump fizeram-se de imediato sentir nos mercados. O dólar que negociava em forte alta contra as principais divisas mundiais, estando mesmo a transaccionar em máximos de Julho do ano passado, moderou a subida para uma valorização de apenas 0,10%.

Para Trump é favorável a manutenção de juros baixos na medida em que é um instrumento monetário que alimenta o consumo e a actividade económica, pelo que uma política continuada de aumento dos juros poderá impactar negativamente nas actualmente robustas taxas de crescimento económico dos EUA.

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Por seu lado, no início deste ano entrou em vigor uma das principais promessas de Trump enquanto candidato presidencial: uma redução dos juros aplicados às empresas (IRC) de 35% para 21%, uma medida que durante largos meses impulsionou os títulos negociados em Wall Street.

 

Trump também se atira à China

No dia em que surgiram notícias de que as autoridades chinesas planeiam avançar com medidas que facilitem a concessão e acesso ao crédito na China com o objectivo de desvalorizar o yuan e assim animar as exportações da China, Donal Trump, também durante a entrevista à CNBC, frisou que a moeda chinesa "está em queda como uma rocha".

Nesta declaração está implícita uma crítica várias vezes repetida quando era ainda candidato à Casa Branca, com Trump a criticar o que considerava ser uma manipulação cambial promovida por Pequim.

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Uma afirmação que surge num momento de tensão entre Washington e Pequim, capitais envolvidas numa disputa comercial iniciada pelo reforço das taxas alfandegárias aplicadas à importação de bens chineses decidida por Trump e à qual a China ripostou na mesma moeda.

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