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"Neste momento não vale a pena discutir a data da subida das taxas de juro", defende Villeroy

O governador do banco central francês e membro do BCE admitiu que a "inflação se tornou mais longa do que pensávamos", mas sublinhou que "não vale a pena estar a discutir neste momento uma data para a subida das taxas de juro".

Bloomberg
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 21 de Fevereiro de 2022 às 21:34

O governador do banco central francês, François Villeroy de Galhau, defendeu, em entrevista ao diário parisiense Libération, que o Banco Central Europeu (BCE) deve ter tempo para decidir sobre aumentos de taxas de juro, de modo a evitar erros.

Para além disso, o membro do conselho do BCE, liderado por Christine Lagarde, reiterou o apelo para que o programa de compra de ativos "termine por volta do terceiro trimestre", admitindo no entanto "que tudo irá depender como a inflação evoluir".

"O tempo é essencial para evitar erros", sublinhou Villeroy, conhecido por ser um dos membros do banco central da zona euro que apoia Christine Lagarde contra a "ala falcão" da instituição financeira europeia, que defende uma antecipação da subida das taxas de juro.

Para o governador francês, o BCE deve conseguir encontrar o equilíbrio, de forma a "não agir tarde demais", nem de maneira a agir precocemente, "prejudicando a recuperação da zona euro".

"Neste momento não vale a pena discutir a data da subida das taxas de juro", acrescentou Villeroy. Assim como já tinha dito o homólogo espanhol Luís de Guindos, o membro do conselho do BCE reconheceu ainda "que a inflação é maior e mais longa do que pensávamos", tendo culpado sobretudo "a subida dos preços da energia" como principal causa desta inversão de expectativa.

Apesar de tudo, o governador francês, acredita, em linha com o previsto pelo BCE, que a inflação ficará abaixo de 2% em 2023 e 2024 e deu como exemplo a França: "Em França estamos muito perto de tocar no pico da curva, um movimento que deve acontecer nos próximos meses, e depois do qual haverá uma descida gradual da inflação".

As palavras de Villeroy estão em linha com as da compatriota Lagarde, que há uma semana prometeu  "medidas certas no momento certo" para garantir uma estabilidade dos preços na zona euro, quando a inflação atinge máximos e surgem críticas sobre a manutenção das taxas de juro.

"Continuamos empenhados em cumprir o nosso mandato de estabilidade de preços, como temos feito ao longo dos últimos 20 anos. O nosso objetivo é uma taxa de inflação de 2% a médio prazo e, para o conseguirmos, adotaremos as medidas certas no momento certo", afirmou Christine Lagarde.

No início deste mês, o BCE anunciou que decidiu deixar as taxas de juro inalteradas, em mínimos históricos, com a principal taxa de refinanciamento em zero e a taxa aplicada aos depósitos em -0,50%.

Também no início do mês, a instituição monetária confirmou que termina no final de março o seu programa de compra de dívida de emergência devido à pandemia (PEPP).

O banco central decidiu em dezembro comprar dívida com um outro programa que já existia antes, conhecido como APP, uma vez concluídas as compras de emergência devido à pandemia, mas a um ritmo mais lento do que com o PEPP.

O BCE tem como principal mandato a estabilidade dos preços, pelo que definiu, em 2021, uma nova estratégia que contempla um objetivo de inflação de 2% a médio prazo.

A contribuir para a elevada inflação, que atingiu um recorde de 5,1% em janeiro deste ano, estão os custos energéticos e os problemas nas cadeias de abastecimento globais, por questões como a situação geopolítica mundial, numa altura em que a tensão entre a Rússia e a Ucrânia se intensifica e causa novas perturbações no fornecimento de gás russo à Europa.

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