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Subir juros em junho é "irrealista", diz Governador do Banco da Irlanda

O governador do Banco da Irlanda é um dos membros do BCE que favorece uma abordagem mais moderada, entre os que defendem uma retirada de estímulos mais agressiva e os que favorecem a manutenção dos estímulos.

Vivek Prakash/Bloomberg
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 14 de Fevereiro de 2022 às 10:00
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A última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) levou os mercados a fazer um reajuste de expectativas em relação ao ritmo de normalização das taxas de juro na região. Mas as novas expectativas podem ter ido mais além do que os responsáveis gostariam e vários membros do BCE têm tentado colocar "água na fervura", como é o caso de Gabriel Makhlouf, do Banco da Irlanda, que avisa que subir juros em junho é "irrealista".

 

Depois de na semana passada, a presidente do BCE, Christine Lagarde, ter reiterado que a economia da zona euro não está sobreaquecida como a dos Estados Unidos, o que justifica cautela na contração da política monetária, Gabriel Makhlouf, governador do Banco da Irlanda, veio alertar que as previsões de uma subida de juros já em junho estão erradas.

 

O membro do conselho de governadores do BCE, em entrevista ao Financial Times, argumentou que os responsáveis vão ser cuidadosos e evitar "matar a recuperação". O responsável disse, ainda assim, que "o ritmo de normalização" da política monetária na zona euro tornou-se claro, depois da taxa de inflação ter atingido um máximo, ao mesmo tempo que o desemprego baixou para mínimos.

 

Assim, segundo Makhlouf, a autoridade monetária europeia poderá terminar o programa de compra de ativos em junho ou uns meses depois, subindo os juros apenas depois dos planos estarem terminados.

 

"A ideia de que poderíamos subir taxas de juro em junho parece-me muito irrealista", argumentou Makhlouf. "Penso certamente que há uma diferença entre o calendário com o qual estamos a trabalhar e o que alguns participantes do mercado podem ter em mente", ressalvou.

 

O BCE já tinha adiantado que apenas subiria juros após o fim dos programas de compra de ativos. O presidente do Banco da Irlanda argumenta que está "confiante" que estes programas, que investiram 4,8 biliões na compra de ativos desde o início de 2015, terminem este ano, abrindo espaço para o início da normalização de juros na região.

 

"A questão é qual é o ritmo em que meu pé pisa no acelerador, e se estou a falar de junho ou estou a falar do terceiro trimestre", acrescentou.

 

O governador do Banco da Irlanda é apontado como membro moderado no conselho de governadores entre os "falcões", que têm pressionado o fim da compra de ativos e da era de juros negativos na região, e as "pombas", que favorecem a manutenção dos estímulos.

Além de Lagarde, que hoje estará no Parlamento Europeu, vários membros do BCE têm-se pronunciado sobre o ritmo de normalização dos juros na região. Enquanto uns têm apontado para a necessidade de responder à inflação, outros têm avisado sobre os riscos de ser demasiado agressivos, deixando os investidores com pouca visibilidade sobre qual será o ritmo de saída do BCE.

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