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BCE espera por Junho para decidir se arrisca mais na comunicação

Na reunião de Abril, os responsáveis do BCE sublinharam que todos os cuidados eram poucos para fazer alterações, ainda que subtis, no discurso. E apontaram as projecções económicas que serão actualizadas em Junho como um factor decisivo para poder sinalizar uma inversão na política.

Reuters
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 18 de Maio de 2017 às 13:37
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Depois de em Março as palavras de Mario Draghi terem sido recebidas com "exagero" por parte dos mercados, na reunião de final de Abril os responsáveis do BCE expressaram a cautela que se deveria ter na comunicação com os mercados, realçando que qualquer mudança, ainda que subtil, poderia ter nos mercados. O Conselho de Governadores preferiu manter tudo na mesma, até porque espera pela actualização das projecções económicas para a Zona Euro que será feita antes da reunião de 8 de Junho, segundo os relatos da reunião de 27 de Abril, divulgados esta quinta-feira.

"Na reunião de política monetária do Conselho de Governadores de Junho ficará disponível informação importante, incluindo as projecções trimestrais, os dados do PIB do primeiro trimestre de 2017 e mais dois meses com dados da inflação", refere o documento publicado no site do BCE. Acrescenta que "isto facilitará uma melhor avaliação do ‘momentum’ e da sustentabilidade da recuperação e as perspectivas para um ajustamento sustentado no caminho da inflação".

Até porque os responsáveis do BCE sugeriram que se "a recuperação da Zona Euro manter este 'momentum' e se houver progresso no ajustamento do caminho da inflação, será necessário colocar em consideração o ajustamento da actual formulação da orientação futura do Conselho de Governadores". Isto é, deixar cair a sinalização de taxas baixas ou ainda mais baixas por um longo período de tempo, marcando o princípio da mudança de política monetária. 

Mas sem esses dados, o BCE preferiu jogar pelo seguro e evitar mudanças no discurso para prevenir que o que aconteceu após a reunião de Março se repetisse. Nessa altura, Mario Draghi deixou cair do seu discurso a expressão de que o banco central utilizaria, se necessário, todos "os instrumentos disponíveis no seu mandato". Foi o suficiente para o mercado começar a apostar que o BCE se preparava para começar a retirada gradual dos estímulos.

Após essa reacção, Mario Draghi veio esclarecer os mercados sobre os critérios para essa retirada e houve mesmo fontes do BCE, citadas pelas agências internacionais, a considerar que os mercados exageraram a mensagem. E essa sensibilidade dos mercados não passou em claro aos governadores do BCE.

"A comunicação do Conselho de Governadores deve ser ajustada, na conjuntura actual, de uma forma muito gradual e cautelosa já que as condições monetárias e financeiras são particularmente sensíveis a mudanças na comunicação", revelam os relatos. Os governadores consideram que "depois de um longo período de condições monetárias muito acomodatícias, mesmo pequenas alterações na comunicação podem ter fortes efeitos se interpretadas como um anúncio de mudança na abordagem de política monetária".

E foi considerado que "um aperto prematuro e não desejado das condições financeiras podem colocar as perspectivas de um ajustamento sustentado da inflação em direcção à meta do Conselho de Governadores em risco, particularmente num ambiente de incerteza persistente".

Apesar disso, os responsáveis do banco central notam a necessidade de "um ajustamento gradual da comunicação, em linha com a evolução da avaliação do Conselho de Governadores ao ‘outlook’ económico e ao equilíbrio de riscos" para "impulsionar a consistência e credibilidade das orientações do Conselho de Governadores".

Assim, na reunião de Abril, o BCE decidiu deixar as medidas de políticas monetárias inalteradas e não fazer alterações no discurso. Os responsáveis do banco central consideraram que deveria ser "enfatizado na comunicação que os riscos para o ‘outlook’ na Zona Euro se estão a mover para uma configuração mais equilibrada, apesar de ainda penderem para a descida". E que as "incertezas prevalentes, especialmente relacionados com o ambiente externo, continuam a merecer cautela". Os governadores acordaram ainda que "a comunicação em relação à inflação deveria ficar inalterada" na reunião do mês passado.

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