Centeno confirma candidatura a vice-presidente do BCE
Ex-governador do Banco de Portugal vai entrar na corrida a "vice" de Lagarde, com apresentação marcada para sexta-feira, confirmou ao Eco. Candidatura foi "incentivada por contactos europeus mantidos durante o período" em que exerceu funções como líder do banco central nacional.
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O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, confirmou que vai candidatar-se à vice-presidência do Banco Central Europeu. “Manifestei junto dos líderes europeus a minha disponibilidade para me candidatar ao cargo de Vice Presidente do Banco Central Europeu, em que mantive informado o Governo português", anunciou Centeno em declarações ao Eco.
A candidatura, que será apresentada na sexta-feira, no último dia do prazo, foi incentivada “por contactos europeus mantidos durante o período em que exerci funções como Governador do Banco de Portugal”, referiu.
O também ex-ministro das Finanças justifica a entrada na corrida, em que deverá ter pelo menos cinco adversários, com o seu "persistente contributo para o aprofundamento da integração europeia, sustentado na experiência adquirida” ao longo do seu percurso profissional.
“Após mais de três décadas no Banco de Portugal e perto de dez anos em funções de representação na União Europeia, incluindo enquanto Presidente do Eurogrupo, a possibilidade de assumir o cargo de Vice Presidente do BCE representa um desafio para o qual me sinto motivado e qualificado”, assinala.
Centeno acrescenta que “esta eleição ocorre num contexto político desafiante e o seu desfecho é incerto, dada a possibilidade de vários candidatos e os equilíbrios regionais subjacentes. Ao mesmo tempo, ela representa uma oportunidade determinante para afirmar Portugal num dos mais relevantes centros de decisão europeus“.
A possibilidade da candidatura de Centeno a “vice” de Christine Lagarde esteve em discussão nos últimos meses, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, a admitirem o apoio a Centeno, com base no princípio de apoiarem candidatos nacionais a altos cargos internacionais.
Em novembro, o ministro das Finanças disse que o Governo "vê sempre com satisfação" que um português concorra a um alto cargo europeu, quando questionado sobre a eventual candidatura de Mário Centeno.
"O Governo, naturalmente, como acontece sempre -- e como aconteceu, por exemplo, com o doutor António Costa [antigo primeiro-ministro ministro, agora presidente do Conselho Europeu] recentemente -- vê sempre com satisfação quando um português pode chegar a um cargo internacional", disse Joaquim Miranda Sarmento.
Entre os países que apresentaram candidatos para o cargo encontra-se Espanha, Finlândia, Letónia, Estónia, Croácia e Lituânia. Entre os nomes mais proeminentes, destaca-se o antigo comissário europeu finlandês Olli Rehn e o economista croata Boris Vujcic.
O primeiro cargo a ficar vago no BCE será o de vice-presidente, quando o mandato de Luis de Guindos terminar em 31 de maio de 2026. Em seguida, serão abertas candidaturas para substituir o economista-chefe, Philip Lane, em maio de 2027 e a presidente, Christine Lagarde, em outubro desse ano.
*Com Lusa
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