Draghi: Recuperação será “lenta, frágil e desigual”
A inflação está em 1,1%, muito abaixo do objectivo de cerca de 2%, mas isso não garantiu um corte nas taxas de juro juros.
Os sinais de recuperação lenta dos últimos meses evitaram um corte de juros na reunião deste mês do BCE, mas a decisão não foi consensual, com vários governadores a defenderem a necessidade de baixar mais o custo do dinheiro na Zona Euro. A julgar pela evolução da inflação nos últimos meses, uma redução da taxa central parece justificada, mas o BCE lembra que se concentra na análise de médio prazo. Draghi diz que o Conselho de Governadores continuará a analisar a evolução dos preços "com atenção".
Esta semana ficou a saber-se que a inflação da Zona Euro caiu de 1,3% em Agosto para 1,1% em Setembro, afastando-se cada vez mais da definição de estabilidade de preços do banco central, que é entendida como uma taxa de inflação no médio prazo abaixo, mas próxima de 2%. Este desenvolvimento não foi o suficiente para o BCE cortar a sua taxa de juro central que permanece nos 0,5%.
Questionado por vários jornalistas, o presidente do BCE responde que “temos de olhar para o médio prazo”, que as “actuais taxas de juro não são uma surpresa” e que a evolução dos preços “está a confirmar o cenário central do BCE”, o qual antecipa uma inflação próxima de 2% no médio prazo. No entanto, Draghi reconhece no entanto que 1,1% é um valor baixo e que a instituição “irá manter-se atenta aos vários factores” que estão a influenciar os preços.
Falando em Paris, onde decorreu a reunião mensal do BCE (que duas vezes por ano sai de Frankfurt), Draghi explicou que a inflação baixa decorre dos preços da energia e alimentos, de menores aumentos de impostos indirectos, da apreciação da taxa de câmbio do euro e da fraca actividade económica. E estes serão os elementos que concentrarão a atenção do banco central nos próximos meses.
Draghi diz que continua a esperar que a recuperação da Zona Euro se prolongue para 2014, mas foi claro: tratar-se-á de uma recuperação “lenta, frágil e desigual”. “Isto também tem impactos nas perspectivas sobre inflação”, sublinhou, garantindo o BCE “olhará com atenção para todos estes factores”.
Por enquanto os sinais aconselham cautela, até porque do lado da concessão de crédito a situação na Zona Euro continua sem dar sinais de retoma e este, como frisou, “é um indicador avançado da retoma”. A expectativa de Draghi é que a situação melhore de forma significativa no próximo ano.