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Draghi: Recuperação será “lenta, frágil e desigual”

A inflação está em 1,1%, muito abaixo do objectivo de cerca de 2%, mas isso não garantiu um corte nas taxas de juro juros.

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02 de Outubro de 2013 às 15:12

Os sinais de recuperação lenta dos últimos meses evitaram um corte de juros na reunião deste mês do BCE, mas a decisão não foi consensual, com vários governadores a defenderem a necessidade de baixar mais o custo do dinheiro na Zona Euro. A julgar pela evolução da inflação nos últimos meses, uma redução da taxa central parece justificada, mas o BCE lembra que se concentra na análise de médio prazo. Draghi diz que o Conselho de Governadores continuará a analisar a evolução dos preços "com atenção".

Esta semana ficou a saber-se que a inflação da Zona Euro caiu de 1,3% em Agosto para 1,1% em Setembro, afastando-se cada vez mais da definição de estabilidade de preços do banco central, que é entendida como uma taxa de inflação no médio prazo abaixo, mas próxima de 2%. Este desenvolvimento não foi o suficiente para o BCE cortar a sua taxa de juro central que permanece nos 0,5%.

Questionado por vários jornalistas, o presidente do BCE responde que “temos de olhar para o médio prazo”, que as “actuais taxas de juro não são uma surpresa” e que a evolução dos preços “está a confirmar o cenário central do BCE”, o qual antecipa uma inflação próxima de 2% no médio prazo. No entanto, Draghi reconhece no entanto que 1,1% é um valor baixo e que a instituição “irá manter-se atenta aos vários factores” que estão a influenciar os preços.

Falando em Paris, onde decorreu a reunião mensal do BCE (que duas vezes por ano sai de Frankfurt), Draghi explicou que a inflação baixa decorre dos preços da energia e alimentos, de menores aumentos de impostos indirectos, da apreciação da taxa de câmbio do euro e da fraca actividade económica. E estes serão os elementos que concentrarão a atenção do banco central nos próximos meses.

Draghi diz que continua a esperar que a recuperação da Zona Euro se prolongue para 2014, mas foi claro: tratar-se-á de uma recuperação “lenta, frágil e desigual”. “Isto também tem impactos nas perspectivas sobre inflação”, sublinhou, garantindo o BCE “olhará com atenção para todos estes factores”.

Por enquanto os sinais aconselham cautela, até porque do lado da concessão de crédito a situação na Zona Euro continua sem dar sinais de retoma e este, como frisou, “é um indicador avançado da retoma”. A expectativa de Draghi é que a situação melhore de forma significativa no próximo ano.

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