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Trump acusa Fed de ceder a Obama e manter juros baixos

O candidato republicano aponta o dedo à Reserva Federal por criar uma situação artificial, penalizar a rendibilidade das poupanças dos aforradores e vir a desencadear a queda das acções quando os juros subirem. Membros da Fed negam influência política.

Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 12 de Setembro de 2016 às 15:25
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O candidato presidencial republicano às eleições norte-americanas acusou a Reserva Federal de ceder às pressões políticas da administração Obama para manter as taxas de juro baixas criando uma situação artificial nos mercados através das políticas de estímulos.

"Bem, [as taxas] estão em zero porque ela [Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal] é obviamente política e faz o que Obama quer que ela faça," afirmou esta esta segunda-feira, 12 de Setembro, Donald Trump, em entrevista à estação de televisão CNBC.

Segundo o jornal Financial Times, Trump prevê que quando as taxas subirem novamente as acções vão reflectir negativamente esse movimento. As palavras do candidato surgem numa altura em que os mercados internacionais se deparam com dúvidas sobre até quanto os bancos centrais vão continuar a sustentar a recuperação das principais economias, ditando fortes quedas nas praças europeias na sessão desta manhã.

Trump acrescentou mesmo, segundo a Reuters, que Yellen deveria sentir-se "envergonhada" com aquilo que está a fazer ao país e que a situação está a condicionar a natureza do dinheiro, que é "essencialmente livre" e a penalizar as poupanças dos aforradores.

A alegação foi depois contestada pelo presidente da reserva de Minneapolis, Neel Kashkari: "A política simplesmente não intervém. (…) Analisamos os dados económicos e... todos os que estão à volta da mesa estão comprometidos a atingir o nosso mandato," afirmou.

"Não vejo o mundo dessa forma," disse por sua vez o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, quando questionado sobre as palavras de Trump. Mas antecipou uma "discussão séria" da Reserva Federal na reunião de 20 e 21 de Setembro sobre uma eventual subida para breve dos juros.

Esta segunda-feira o mercado aguarda pela intervenção de um dos membros do conselho de governadores do Fed, Lael Brainard, normalmente defensora de uma aproximação cautelosa ao aumento das taxas de juros.

As praças europeias continuam a registar perdas ao início desta tarde, depois de na quinta-feira o Banco Central Europeu ter deixado inalterada a sua política monetária – quando os analistas esperavam sinais de extensão temporal do actual programa de compra de activos – e de declarações do presidente da Reserva de Boston, que na sexta-feira alertou que a economia norte-americana pode sobreaquecer se a Fed demorar a aumentar juros.

Wall Street, que abriu a sessão em queda depois de ter tombado mais de 2% na sexta-feira, segue agora em alta ligeira que não supera os 0,26% somados pelo Nasdaq.
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