Câmara de Madrid derruba sem aviso monumentos a Franco
Sem avisar. Foi assim que o executivo municipal de Madrid liderado por Manuela Carmena (eleita por Ahora Madrid, formação liderada pelo Podemos e Ganemos Madrid) derrubou nos últimos dias alguns dos "monumentos franquistas" que ainda restam na capital espanhola, 40 anos depois da queda da ditadura e no cumprimento da Lei da Memória Histórica.
A história é contada esta terça-feira pelo jornal El País, que refere que só no dia de ontem a comissão de património da câmara madrilena eliminou a coluna no bairro dos Jerónimos que comemorava os combatentes voluntários franquistas, bem como uma lápide a José García Vara, militante da Falange Espanhola.
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Já na sexta-feira foi retirada a lápide que lembrava um fuzilamento de oito religiosas no cemitério de Carabanchel e para os próximos dias está prevista a remoção de mais cinco marcos, dois dos quais em homenagem a José Calvo Sotelo, ministro das Finanças na ditadura de Primo de Rivera morto em Julho de 1936.
A eliminação de nomes de ruas que celebram o franquismo foi decidida em Dezembro passado pela autarquia por proposta do PSOE e o objectivo é mudar até ao verão a denominação de pelo menos 30 artérias da cidade.
Mas os socialistas na Câmara mostraram-se "perplexos" pela demolição sem aviso da coluna que celebra os combatentes: "Não se podem tirar os monumentos, gostemos deles ou não, desta maneira. A escolha das placas, esculturas ou conjuntos a eliminar deve passar pela Comissão de Cultura da Câmara", disse Mar Espinar, porta-voz socialista para a área da Cultura. "Apagar as coisas que reflectem a história de um ou do outro lado parece-me uma barbaridade", disse por outro lado ao El País Antonio Morcillo, do Grupo de Estudos da Frente de Madrid.
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A Lei da Memória Histórica foi aprovada em Dezembro de 2007 e prevê a abertura de "uma nova etapa na reparação e reconhecimento das vítimas da guerra civil e do franquismo". O diploma prevê a retirada de "escudos, insígnias, placas e outros objectos comemorativos da sublevação militar, da Guerra Civil e da la Ditadura" de Franco, deixando como "únicas excepções" os "símbolos protegidos pela lei por razões artísticas, arquitectónicas ou artístico-religiosas".
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