Seguro e Ventura fecham campanha presidencial em desacordo sobre realização das eleições
No último dia de campanha eleitoral, e quando alguns municípios adiaram a votação por uma semana devido ao mau tempo, Seguro disse que não fará campanha nesses concelhos, enquanto Ventura acusou-o de "inutilidade" por defender a sua realização.
Depois de uma campanha marcada pelos estragos causados pelas tempestades que têm assolado o país, nomeadamente a região Centro, e de alguns municípios terem adiado as eleições de domingo para 15 de fevereiro por falta de condições, o candidato António José Seguro afirmou hoje que, na próxima semana, não fará campanha nesses concelhos.
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Contudo, o apoiado pelo PS admitiu ir "discretamente a essas regiões" se for útil.
"O que eu farei para a semana não está ainda decidido. Mas, de toda forma, posso dizer que a minha intenção é não fazer campanha nessas zonas que estão abrangidas. Aliás, as pessoas têm informação suficiente", respondeu aos jornalistas, no final de uma visita à empresa Sword Health, no Porto.
Sobre o comunicado da Comissão Nacional de Eleições (CNE) que indicou que a lei "não permite" o adiamento geral das eleições a nível nacional, como o seu opositor André Ventura tinha defendido, Seguro reiterou que "Portugal é uma República e é um Estado de direito e há leis".
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André Ventura, que na quinta-feira defendeu o adiamento geral da segunda volta das eleições presidenciais para meados de fevereiro, cenário que não tem respaldo legal, acusou Seguro de mostrar "inutilidade, vazio e falta de empatia" por ter defendido ser essencial que as eleições se realizem no domingo.
"Acho que ontem [quinta-feira] ficou bem claro a inutilidade e também o vazio mas, sobretudo, a falta de empatia do meu adversário que, perante uma circunstância destas, não tinha nenhuma proposta, nem nenhuma ideia, mas também, sobretudo, usou a frase 'o que é essencial é que as eleições se realizem'. Ou seja, perante a devastação do país, o que é essencial é as eleições, perante a dor das pessoas, o que é mesmo importante é as eleições", ironizou.
O também líder do Chega referiu que falou "durante a noite" com o Presidente da República e que este lhe transmitiu que "não há condições, quer de natureza política, sobretudo de natureza política, para [declarar] o estado de emergência que permitiria adiar o ato eleitoral".
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Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
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O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos, que representam 17,1% da população residente em Portugal. No total da área afetada, estão inscritos 1.589.165 eleitores (14,4% do total).
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