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CDS-PP: Adolfo Mesquita Nunes regressa ao Conselho Nacional

"Saí dos trabalhos porque não pactuo com uma ilegalidade. Volto porque a legalidade, depois de tanta pressão, prevaleceu", escreveu o dirigente, numa publicação na sua página pessoal na rede social Twitter, cerca de uma hora e meia depois de ter saído da videoconferência.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 06 de Fevereiro de 2021 às 18:23
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O antigo vice-presidente do CDS-PP, e anunciado candidato à liderança caso se realize um congresso, anunciou que regressou à reunião do Conselho Nacional, depois de ter abandonado em discordância o presidente daquele órgão.

"Saí dos trabalhos porque não pactuo com uma ilegalidade. Volto porque a legalidade, depois de tanta pressão, prevaleceu", escreveu o dirigente, numa publicação na sua página pessoal na rede social Twitter, cerca de uma hora e meia depois de ter saído da videoconferência.

Adolfo Mesquita Nunes acrescentou que "foram cinco horas a discutir uma coisa que podia e devia ter sido resolvida em cinco minutos".

O presidente do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia, pôs à consideração dos membros a decisão sobre o modo como será votada a moção de confiança à comissão política nacional, apresentada pelo líder do partido.

Adolfo Mesquita Nunes, que propôs a realização de um congresso eletivo antecipado, não concordou com esta decisão e anunciou que iria abandonar a reunião.

O antigo dirigente defendeu que o Conselho Nacional deve acatar o parecer do Conselho Nacional de Jurisdição, emitido na sexta-feira, que estabelece que "a votação de moções de confiança à Comissão Política Nacional deve ser realizada por escrutínio secreto".

Considerando que a decisão de Anacoreta Correia é "ilegal, é cobarde", Mesquita Nunes frisou que não queria "participar num Conselho Nacional que viola os estatutos" e indicou que abandonou os trabalhos "por questões de ilegalidade e questões de legitimidade política".

"Há um parecer que é claro, do tribunal do partido, que fiz de forma vinculativa que o voto de uma moção de confiança é voto secreto", salientou, criticando o presidente do Conselho Nacional por não ter facultado nem lido o documento aos conselheiros.

"O senhor não gosta da decisão, eu lamento", comentou o antigo vice-presidente de Assunção Cristas, insistindo que "uma decisão do tribunal do partido é vinculativa" e advogando que os membros do órgão máximo do CDS entre congressos não podem "votar pelo não acatamento de uma decisão" do Conselho Nacional de Jurisdição.

Na sua intervenção, Adolfo Mesquita Nunes defendeu que "os estatutos [do partido] são claros e valem mais do que o regimento" e acusou Filipe Anacoreta Correia de agir "à margem da lei".

"O que o motiva é o medo", acrescentou, acusando a direção do CDS-PP de ter uma "confiança tão pífia que não aguenta um congresso" e de não querer "ouvir os militantes", estando a "entrincheirar-se até ao fim".

Em resposta, o presidente do Conselho Nacional recusou a acusação de "cobardia" e de ter "receio", defendendo que este órgão "decide como quiser" e que o próprio não está "a votos".

Cerca de 250 membros do Conselho Nacional do CDS-PP estão reunidos desde as 12:10, por videoconferência, para discutir e votar uma moção de confiança à Comissão Política Nacional apresentada pelo líder, Francisco Rodrigues dos Santos, depois de o antigo vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes ter proposto a realização de um congresso eletivo antecipado e ter anunciado que será candidato à liderança caso essa reunião magna aconteça.

Os trabalhos arrancaram à porta fechada, mas foram abertos aos jornalistas a partir das 15:45, após decisão do Conselho Nacional.

Pelas 17:30, houve uma pausa nos trabalhos, estando previsto que retomem às 18:00, com a apresentação da moção de confiança por parte do presidente do partido.
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