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BE quer rescisão de contrato de concessão dos CTT por violação grosseira das obrigações

Para a líder do Bloco, a "violação grosseira das obrigações" presentes no contrato de concessão dos CTT permite a reversão para a esfera pública do serviço postal sem que seja necessário o pagamento de qualquer compensação. Arménio Carlos também quer "intervenção urgente" nos CTT

Mais tempo para ser atendido

Mais tempo para ser atendido
Nos estabelecimentos postais, há menos atendimentos até 10 minutos. 2016 marcou o nível mais baixo desde 2006, não havendo ainda dados finais referentes a 2017. Ainda assim, acima dos objectivos estipulados.

Há mais Demoras na entrega de correio azul até um dia útil

Há mais Demoras na entrega de correio azul até um dia útil
Foi por pouco que os CTT não incorreram em penalização na entrega do correio azul até 1 dia útil em 2016. O mínimo fixado era de 93,5%, ficou nos 93,8%.

Entregas de correio azul em dois dias ficaram abaixo dos 90%

Entregas de correio azul em dois dias ficaram abaixo dos 90%
Só em 2006 e 2007 é que os indicadores tinham sido mais baixos do que em 2016, segundo dados da Anacom.

Indicador global de qualidade de serviço no nível mais baixo desde 2006

Indicador global de qualidade de serviço no nível mais baixo desde 2006
Desde 2006, o indicador global de qualidade de serviço dos CTT está ao nível mais baixo. Em 2016, pouco passou dos 100 pontos: ficou nos 123.

Há mais cartas a demorarem a chegar ao seu destino

Há mais cartas a demorarem a chegar ao seu destino
Até três dias úteis do correio normal, há mais cartas a não chegarem ao destino. Aqui os CTT não cumpriram o objectivo. Mas fizeram os mínimos em 2016.

CTT falharam metas nas entregas do correio normal em 15 dias

CTT falharam metas nas entregas do correio normal em 15 dias
Foi neste indicador que os CTT falharam os objectivos definidos. O incumprimento levou à penalização nos preços praticados pelos Correios.

Pontos de acesso postal acima das 2.300 unidades

Pontos de acesso postal  acima das 2.300 unidades
Nos últimos anos, desde a privatização, até tem aumentado, mas está longe das quase 4.000 que tinha no início do milénio.
Lusa 19 de Janeiro de 2018 às 17:59
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A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu hoje que o Governo deve rescindir o contrato de concessão dos CTT por "violação grosseira das obrigações", o que permite reverter para a esfera pública o serviço postal sem pagar qualquer indemnização.

Catarina Martins esteve hoje à tarde à porta da estação dos CTT do Socorro, na Rua da Palma, em Lisboa, uma das oito estações que hoje foram encerradas pela empresa, "de um dia para o outro" e "sem dizer nada a ninguém, nem aos trabalhadores, sem contactar o regulador, sem fundamentar a sua decisão nem explicar como é que vai servir a população".

"Isto é uma violação grosseira das obrigações do contrato de concessão e isso abre um novo instrumento legal que o Governo pode utilizar e esse instrumento é a rescisão do contrato de concessão que permite reverter para a esfera pública os CTT sem pagar qualquer indemnização", defendeu.

Para a líder do BE, o encerramento efectivo de oito estações "é um facto novo" e já não "é a empresa dizer que quer despedir ou que quer encerrar".

Oito estações dos CTT nos concelhos de Lisboa, Loulé, Sintra, Barreiro, Aveiro e Águeda fecharam hoje, no âmbito do plano de reestruturação da empresa, que tinha já levado ao encerramento da estação madeirense Arco da Calheta, informou a empresa.

Em resposta à Lusa, fonte dos CTT avançou que foram hoje fechadas as estações de Avenida (Loulé), Filipa de Lencastre (Sintra), Junqueira (Lisboa), Lavradio (Barreiro), Olaias (Lisboa), Socorro (Lisboa), Universidade (Aveiro) e Barrosinhas (Águeda).

Arménio Carlos insta Governo a "intervenção urgente" nos CTT

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, também instou hoje o Governo a ter uma "intervenção urgente" face a atitudes "prepotentes e arrogantes" por parte da administração dos CTT.

"Estamos aqui para reafirmar a solidariedade da CGTP com os trabalhadores cujos postos de trabalho estão em risco e com as populações que merecem melhores serviços. Além de que o Governo tem de ter uma intervenção urgente face a atitudes prepotentes e arrogantes contrárias aos interesses dos serviços públicos e que a administração dos CTT está a ter", disse à Lusa Arménio Carlos.

O dirigente sindical falava à Lusa à porta da estação dos CTT das Olaias, em Lisboa, uma das oito que hoje encerraram e na qual foi realizado um protesto contra o fecho das estações dos CTT e pela reversão da sua privatização, que contou ainda com a presença do Movimento de Utentes de Serviços Públicos e elementos do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações.

Para Arménio Carlos, não faz sentido o encerramento das estações, "mais a mais quando a administração está a distribuir dividendos muito para além dos lucros da empresa", salientando que, "pelos vistos", não se trata de um problema de dinheiro, mas sim "a forma como se aplica o dinheiro para beneficiar os accionistas ou melhorar a qualidade dos serviços públicos que tão degradada já se encontra neste momento".

O sindicalista reiterou a importância de "fazer reverter os CTT para a esfera do sector empresarial do estado", lembrando que actualmente a empresa "já não está a prestar serviço público de qualidade".

José Franco utente da estação das Olaias, onde mantém um apartado, dirigiu-se hoje ao posto para enviar umas cartas e deparou-se com o seu encerramento.

"No final de Dezembro paguei o apartado para o ano de 2018 até com uma nova modalidade que me avisava com um sms. Não fui informado de nada que estaria para fechar na altura da revalidação. Hoje deparo-me com isto. É de uma prepotência imensa dos CTT", disse José Franco, em declarações à Lusa.

O utente da estação das Olaias adiantou também querer ser ressarcido pelo serviço que deixou de ter, afirmando que já tentou, por diversas vezes, os números de telefone afixados na porta da estação, salientando que o contacto é "muito difícil" até que, quando o atenderam, pediram para enviar um email a expor a situação.

Também Isabel Real, moradora no prédio dos CTT, adiantou à Lusa que o fecho da estação irá fazer alguma diferença, já que usava muito o posto como utente com correspondência do seu local de trabalho.

Os CTT confirmaram a 2 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afectar 53 postos de trabalho.

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas "não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente".

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Gondomar), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).
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