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Costa acha "virtualmente impossível" o PS ter maioria absoluta

O chefe de Governo reconheceu que será feita uma requisição civil para conter os efeitos da greve cirúrgica dos enfermeiros de tal for considerado necessário. António Costa não acredita numa maioria absoluta do PS nas legislativas e repõe o foco socialista numa espécie de geringonça 2.0.

Nuno André Ferreira/Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2019 às 23:01
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A entrevista do primeiro-ministro à SIC realizada esta terça-feira começou com questões sobre os enfermeiros. António Costa admitiu que para atenuar os efeitos decorrentes das greves ciúrgicas, o Governo contempla recorrer à requisição civil aos enfermeiros em greve se tal "for considerado necessário", embora o líder socialista tenha salvaguardado que é ainda preciso aguardar pelo parecer solicitado ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República.

Agastado com a atuação da Ordem dos Enfermeiros e respetiva bastonária, António Costa anunciou que o Executivo vai reportar às "autoridades judiciárias" os comportamentos de desrespeito da lei como é o caso da "manifesta violação" que consiste no exercício de funções sindicais por parte daquela ordem profissional. Seja como for, Costa frisou ser necessário "não confundir" aquilo que é "a atuação da bastonária e de alguns dirigentes sindicais" com os "sindicatos que cumprem a lei e que não abusam do direito [à greve]". 

Maioria absoluta é "virtualmente impossível" e longa vida à geringonça

O secretário-geral do PS não acredita que os socialistas possam vencer as legislativas de Outubro com maioria absoluta, até porque isso é "virtualmente impossível", desde logo porque o sistema político português foi delineado por forma a dificultar esse tipo de resultado eleitoral. Apontando ao "melhor resultado possível" e depois de meses em que foi conciliando garantias de que a experiência que possibilitou a atual solução governativa é para repetir com a tentativa de posicionar o PS como partido charneira, como foi exemplo o último congresso do partido, Costa recentra agora a sua aposta na reedição da geringonça. 

A geringonça provou ser uma "boa solução política" e "deve ser prosseguida". "Por mim sigo em frente", rematou repetindo a ideia de que "em equipa ganhadora não se mexe".

Sobre as eleições para o Parlamento Europeu, agendadas para Maio, o líder socialista admitiu "esperar" superar os 31,5% conseguidos pelo PS nas europeias de 2014, uma vitória "por poucochinho" como então classificou e que serviu de mote para desafiar a liderança de António José Seguro. Quanto às próximas presidenciais, António Costa considera que ser "altamente improvável que [Marcelo Rebelo de Sousa] não seja reeleito", sendo que a decisão sobre a apresentação, ou não, de um candidato a Belém será tomada "a seu tempo". 

Costa irritou-se com Cristas porque não admite ataques de carácter

O primeiro-ministro também abordou a recente irritação suscitada pela líder do CDS, Assunção Cristas, no último debate quinzenal, quando Costa recorreu à sua cor de pelo para atacar a presidente centrista. Frisando ser amplamente reconhecido como "uma pessoa com bonomia", António Costa explicou que tudo se deveu ao ataque de que foi alvo num artigo de opinião publicado por Assunção Cristas no Correio da Manhã. 

"Há coisas que não admito: uma pessoa que escreve um artigo a dizer que sou uma pessoa sem caráter, isso não admito (...) Uma coisa é uma intervenção inflamada no Parlamento e outra é um artigo de jornal (...) Não vou fingir que não entendo a pergunta insultuosa que é saber se condeno ou não condeno atos de vandalismo."

"Quem não se sente não é filho de boa gente", prosseguiu o secretário-geral socialista sublinhando nunca ter utilizado a política como "um palco de guerrilha pessoal".

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