Política Juncker promete bloquear adesão da Turquia à UE se for reintroduzida pena de morte

Juncker promete bloquear adesão da Turquia à UE se for reintroduzida pena de morte

O presidente da Comissão Europeia afirma que nem no médio prazo vê Ancara em condições de aderir ao clube da UE. O MNE turco já criticou as declarações de Juncker e promete retirar embaixadores que diz estarem por detrás do golpe falhado.
Juncker promete bloquear adesão da Turquia à UE se for reintroduzida pena de morte
Paulo Zacarias Gomes 25 de julho de 2016 às 10:24
O presidente da Comissão Europeia prometeu esta segunda-feira, 25 de Julho, travar o processo de negociações para a adesão da Turquia à União Europeia caso seja reintroduzida a pena capital no país.

Num dia em que foram conhecidas novas detenções de jornalistas turcos, Jean-Claude Juncker acrescentou que a Turquia não está em condições de aderir em breve ao "clube" europeu.

"Acredito que a Turquia, no estado em que se encontra, não está em posição de se tornar num membro [da UE], nem em breve nem dentro de um maior período de tempo", afirmou o responsável, secundando o que a representante de política externa da UE, Federica Mogherini, tinha afirmado há uma semana.

A possibilidade de reintrodução da pena de morte no direito turco foi levantada logo no dia seguinte à intentona pelo próprio presidente Recep Tayyip Erdogan em Istambul, num discurso perante apoiantes.

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, já avisou entretanto, segundo a Reuters, que a União Europeia não pode ameaçar nem desprezar Ancara. E anunciou também, neste caso à Haberturk TV, que vai em breve retirar dos seus postos alguns embaixadores alegadamente ligados ao golpe.

No ar ficou também a possibilidade de deterioração das relações EUA-Turquia caso as autoridades norte-americanas não extraditem o teólogo Fethullah Gullen exilado naquele país e que o regime de Erdogan acusa de ter sido o mentor dos acontecimentos de 15 de Julho.

Desde esse golpe de Estado falhado que as autoridades turcas já detiveram, suspenderam ou colocaram sob investigação mais de 60 mil pessoas, entre militares, professores, juízes ou funcionários públicos.

A Turquia declarou a 20 de Julho o estado de emergência, por três meses. E no dia seguinte suspendeu a aplicação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.



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