Medo de "mais instabilidade" ligada ao BE e PCP gerou derrota eleitoral, diz Boaventura de Sousa Santos
Sociólogo Boaventura de Sousa Santos defende, num artigo de opinião publicado no jornal "Público", que BE e PCP contribuíram para "um OE menos bom" do que aquele que haveria sem eleições e para um "PS solto para ser menos de esquerda" com um Governo maioritário.
O sociólogo Boaventura de Sousa Santos considera que a derrota da esquerda pode ser explicada pelos receios dos eleitores de que o reforço eleitoral do BE e PCP significasse "mais instabilidade". No caso do BE, o sociólogo defende que a liderança de Catarina Martins deixou de ter "credibilidade".
"Os resultados eleitorais mostram que a esquerda à esquerda do PS perdeu a oportunidade histórica que granjeou depois de 2015", começa por escrever Boaventura de Sousa Santos, num artigo de opinião publicado no jornal "Público".
O sociólogo, que afirma que sempre votou Bloco de Esquerda, defende que "a queda do PCP é estrutural" e que, no caso do BE, a perda de 14 deputados na Assembleia da República deve-se à dificuldade em entender os sinais do eleitorado, e ter passado a campanha a justificar a decisão da rejeição do Orçamento e pedir desculpa por tê-lo feito.
"Que credibilidade pode ter tal dirigente?", questiona. "É evidente que o BE só podia estar do lado da estabilidade para a poder fortalecer e qualificar. O BE não entendeu os sinais do seu eleitorado (...) e se algum impacto teve foi o de os fazer suspeitar que o seu reforço eleitoral significaria mais instabilidade", refere.
Boaventura de Sousa Santos considera que, com o chumbo do OE, o BE contribuiu para "um OE menos bom" do que aquele que haveria sem eleições e deixou "o PS solto para ser menos de esquerda" com um Governo maioritário. "O partido que consegue dar simultaneamente dois tiros nos dois pés só por milagre não cairia", conclui.