O debate em que se falou de yoga, de flexibilidade e do tamanho das mãos de Trump
O 11.º encontro entre candidatos republicanos à nomeação para as presidenciais norte-americanas voltou a ser recheado de insultos e ataques. No fim, todos garantiram que apoiarão o mais votado nas primárias.
O debate entre candidatos republicanos à nomeação para as presidenciais nos EUA já vai na 11.º ronda e no sétimo mês mas os episódios de ataques e referências pessoas continuam tão vivos quanto no primeiro encontro.
A um dia do super-sábado - e depois da super-terça-feira que deu vitória a Trump em sete estados – o debate desta sexta-feira, 4 de Março, realizado pela cadeia de televisão Fox em Detroit, no Michigan, voltou a juntar Trump, Rubio, Cruz e Kasich e a ser motivo para novos rios de tinta e horas de televisão e youtube.
À frente nas sondagens e cada vez mais dado como possivelmente indicado pelo partido do elefante para disputar a Casa Branca, Donald Trump voltou a distribuir mimos pelos adversários. E a ser o centro das atenções dos oponentes. À volta, de novo, as multidões ululantes a cada bicada de Trump.
E desta vez, até o yoga e as referências sexuais subiram ao palco, com o candidato mais polémico a descansar os eleitores, depois de Marco Rubio se ter referido ao tamanho pequeno das mãos do candidato: "Disse que as minhas mãos são pequenas e então algo mais será pequeno. Eu garanto que não há problema, garanto", afirmou Trump.
Fora do episódio que enche as redes sociais de comentários, houve tempo para Ted Cruz questionar as qualidades conservadoras de Trump e a sua vantagem em relação aos democratas, tirando partido do seu carácter tempestuoso: "Conta até dez, Donald. Respira, respira, respira".
E para Rubio, que tal como os restantes opositores até admitiu que apoiará Trump caso saia vencedor nas primárias, pedir para que "parassem com o yoga" no debate. Todas as suas armas continuam apontadas ao magnata (tem sido essa a sua estratégia nas últimas duas semanas), tentando tirar o adversário do sério, como se viu no caso das mãos.
Trump foi, uma vez mais, o centro de tudo, a rebater acusações com palavras ainda mais duras e a ser apontado como "demasiado flexível" (com Rubio a aproveitar a referência do yoga). Em causa uma conversa alegadamente "off the record" entre jornalistas do New York Times e Trump em Janeiro, e na qual ele seria muito mais flexível em relação às propostas sobre a imigração do que as suas afirmações em campanha têm sugerido. Entre as suas propostas tem estado, por exemplo, a deportação de todos os imigrantes ilegais dos EUA ou a construção de um muro na fronteira com o México.
Pelo meio, também Trump garantiu que apoiará qualquer dos seus adversários se estes chegarem à nomeação. E ainda teve tempo para palavras mais suaves com uma das entrevistadoras – Megyn Kelly – sobre quem, há sete meses, tinha feito comentários interpretados como sexistas.
Entretanto, figuras gradas do "Grand Old Party" têm-se multiplicado nos últimos dias em declarações contra a nomeação do magnata norte-americano, com as palavras de ordem "Stop Trump" ou #NeverTrump. É o caso de Mitt Romney, que disputou as primárias de há quatro anos. "As suas políticas internas vão levar à recessão e as internacionais tornarão os EUA um país menos seguro", advertiu, citado pela cadeia de televisão ABC.
Outros grupos dentro dos republicanos têm angariado fundos e financiado campanhas para evitar que o outrora participante n’"O Aprendiz" chegue alguma vez a sentar-se na Sala Oval.
"Deve ter sido um debate difícil de ver para os republicanos", comentava o correspondente da AlJazeera em Washington Alan Fischer. Ou, como escrevia Tim Mak do Daily Beast, "praticamente podíamos ouvir os nossos neurónios a chorar de dor, à medida que morriam, resposta após resposta".