EUA: Ohio abranda mas não trava Trump; Clinton reforça liderança
John Kasich roubou o pleno a Trump nas primárias republicanas desta “Super Terça-feira” e Marco Rubio desistiu da corrida onde o milionário mantém a liderança. Hillary consolidou vitórias e aponta baterias a Trump.
Donald Trump segue praticamente incontestado nestas primárias entre os republicanos, com vitórias em quatro dos cinco estados que foram a votos e no ‘caucus’ das Ilhas Marianas nesta "super terça-feira". Só John Kasich (na foto) no Ohio o privou da plena consagração, obrigando-o a abrandar a corrida pela nomeação republicana. Entre os democratas, Hillary brilhou na Flórida e em Ohio, os maiores estados, mas Sanders deu luta nos restantes.
O candidato republicano Donald Trump assegurou 45,8% dos votos na Flórida, contra 27% de Marco Rubio. A dura derrota em casa levou o senador, de 44 anos, a desistir da corrida pela nomeação, deixando apenas o milionário, Ted Cruz e John Kasich na corrida.
"Do ponto de vista político, a coisa mais fácil de se fazer nesta campanha era somar em cima das ansiedades, fazer as pessoas ficarem ainda mais chateadas, fazer as pessoas ficarem mais frustradas, mas eu escolhi um caminho diferente, e estou orgulhoso disso", disse Rubio, visivelmente emocionado naquele que foi o seu último discurso enquanto candidato às presidenciais de 8 de Novembro. Aos americanos pediu que "não cedessem ao medo ou à frustração".
Apesar das margens confortáveis conquistadas no Illinois (38,8% face a 30,3% de Ted Cruz, o segundo colocado) e na Carolina do Norte (40,2% face a 36,8% de Cruz), Trump foi obrigado a discutir "taco-a-taco" com o senador no Missouri onde, com 99% dos votos contados, vence com uma diferença inferior 1 ponto percentual.
A derrota foi-lhe servida pelo governador John Kasich em Ohio, o segundo maior estado desta ronda das primárias. A vitória em casa impulsionou o governador, que prometeu ao seu eleitorado levar esta disputa até ao fim, o que diminui as possibilidades de Ted Cruz de se afirmar já como a única alternativa ao milionário, apesar de este perseverar nesse discurso.
A noite foi de pouco brilho para Cruz. Apesar de reunir o apoio equivalente a 395 delegados, o que lhe assegura o segundo lugar na corrida (face aos 621 conquistados por Trump e 138 de Kasich), o senador não conseguiu a vitória em nenhum dos estados que foram a votos ontem. No seu discurso, o candidato congratulou Marco Rubio pela sua campanha, dizendo que foi "inspiradora".
"Apenas duas campanhas têm um caminho viável para a nomeação: a nossa, e a de Donald Trump. Mais ninguém tem condições matemáticas para tal. Apenas uma campanha bateu Donald Trump mais do que uma vez", lembrou. "Querem um candidato que partilha dos vossos valores, ou um candidato que gastou décadas a opor-se aos vossos valores?", perguntou.
Ciente de que não é um candidato que reúna unanimidade dentro do próprio partido, voltou a pedir no seu discurso de vitória nesta noite eleitoral por união.
"O facto é que temos de unir o nosso partido. Temos algo a acontecer que efectivamente torna o partido republicano o maior na história política em qualquer lugar do mundo", disse, citado pela Reuters, em referência aos milhões de novos eleitores que se arroga de ter conquistado para a base republicana.
Trump queixou-se ainda da "publicidade negativa" que tem vindo a receber, a maioria "falsa", assegura. O milionário não deixou de congratular Marco Rubio e agradecer a vitória na Flórida, que considera ser "como uma segunda casa".
Clinton aponta baterias a Trump
As vitórias de Clinton em todos os estados que foram a votos, com maior ênfase na Florida e no Ohio, os estados com mais delegados e onde conseguiu maiores margens face a Sanders, deram um novo impulso à sua campanha, após a surpreendente derrota no Michigan.
Em particular,escreve a Bloomberg, a sua vitória no Ohio desmistifica a ideia de que a ex-secretária de Estado não conseguia soma somar vitórias em estados onde os eleitores são sobretudo operários brancos (white, blue-collar voters), onde a mensagem de Sanders contrária ao comércio livre tem tido maior ressonância.
Assinalando que a sua campanha entrou numa nova fase, Clinton optou por dirigir o seu ataque a Trump, dizendo que o próximo Presidente "tem de unir o país para que todos possam partilhar a promessa americana".
"O nosso chefe supremo das forças armadas [uma referência ao cargo de presidente] tem de ser capaz de defender o nosso país, e não embaraçá-lo; atrair os nossos aliados e não aliená-los; derrotar os nossos adversários e não encorajá-los", disse.
Apesar da derrota, Sanders não deu quaisquer sinais de abrandar a sua campanha, criticou Clinton por aceitar donativos de empresas e de dar discursos pagos a firmas de Wall Street.
"Não podemos andar para a frente a não ser que lidemos com a realidade da sociedade americana hoje", disse o candidato democrata em Phoenix, acrescentando que é isso que a sua candidatura pretende fazer.
A próxima fase são as primárias do Arizona e do Utah, a 22 de Março, tanto para democratas como para republicanos, sendo que os democratas têm um ‘caucus’ no Idaho nesse mesmo dia.