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Pedro Caldeira: “Cavaco tomou-me de ponta”

O antigo corretor da bolsa portuguesa voltou a contar a história da sua ascensão e queda, lembrando os planos falhados para a fundação de um banco que teria capital social igual ao do BCP. “Esbarrou em Cavaco Silva”, recorda.

Pedro Elias/Negócios
Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 06 de Junho de 2013 às 16:55
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Pedro Caldeira chegou a ter planos para a fundação de um banco que iria concorrer com as principais instituições do país, segundo disse em entrevista à revista “Visão”. O plano de negócios criado pela Sociedade Hispanoamericana contava com accionistas de relevo, como Américo Amorim e a American Express, relatou.

 

O corretor que ascendeu ao longo das décadas de 70 e 80 tem a reputação de ter sido responsável por 60% das operações que tinham lugar na bolsa portuguesa. O ciclo da sua carreira coincide com a evolução da bolsa portuguesa: as subidas do mercado no final da ditadura, foram prolongadas pela perspectiva e entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE) durante os anos 80.

 

Até aos anos 90, a bolsa chegaria a listar mais de 60 empresas, superando o número de cotadas que o PSI-Geral tem actualmente. O colapso do mercado no início dos anos 90 também viria a coincidir com a queda do corretor, que acabaria por fugir para os Estados Unidos da América, onde haveria de ser preso.

 

Pelo caminho ficaram os planos para a criação de um banco com um capital social igual ao do BCP à altura, segundo afirma Pedro Caldeira, numa de várias peripécias que relatou na edição desta quinta-feira da revista "Visão". “Em 1986 resolvi ser banqueiro. Mas [o primeiro-ministro] Cavaco Silva tomou-me de ponta – e eu a ele – e chumbar-me-ia o projecto”, recordou.

 

Aquele que é um dos personagens mais controversos da bolsa portuguesa relatou ainda o colapso da corretora Pedro Caldeira, Sociedade de Corretagem. Uma auditoria identificou um desencontro de dois milhões de euros nas contas da corretora junto do Banco Pinto & Soto Mayor que viria a tornar-se “um cancro” na sua vida.

 

No final ainda revela um facto improvável: aos 35 anos, ganhou o totoloto. O maior erro que assume foi ter voltado a investir, com dinheiro de 50 clientes, no mercado português, em 1991. “Pensei que, sozinho, ia conseguir , outra vez, revigorar a Bolsa”, relembra.

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