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PSD critica nomeação de conselheiro por Governo de 70 membros. Costa quer sair da "bolha"

O deputado social-democrata Adão Silva criticou o facto de o Governo maior da democracia precisar nomear Costa Silva para desenhar o plano de recuperação pós-covid-19. O primeiro-ministro justifica escolha com necessidade de sair da "bolha mediática" e critica "mesquinhez" do deputado Adão Silva.

António Costa vai discutir com os partidos um plano económico, que terá reflexo no orçamento suplementar.
António Cotrim/Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Junho de 2020 às 16:24
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Depois de Os Verdes e o PS terem passado ao lado do tema do momento, o PSD não deixou passar a oportunidade de criticar a escolha, hoje formalizada, de António Costa Silva como conselheiro especial para a preparação do Plano de Recuperação Económica e Social 2020-30.

Logo na primeira intervenção no debate quinzenal desta quarta-feira, o deputado do PSD, Adão Silva, fez questão de entrar ao ataque, apontando "duas objeções" à escolha do líder da petrolífera Partex. "O senhor primeiro-ministro tem no Governo 70 membros, 19 ministros, quatro ministros de Estado e, no entanto, encomenda este trabalho a um privado. Estranho. Por outro lado, o que era em 2012 já não é em 2020", disse lembrando que nessa altura António Costa criticou duramente a escolha de António Borges pelo Executivo PSD/CDS para fazer agora "exatamente o mesmo".

O primeiro-ministro defendeu-se lembrando que sempre desempenhou funções políticas tentando ouvir "para além da bolha político-mediática", procurando suscitar a "colaboração de especialistas" capazes de refletir "muitas vezes fora da caixa". "Enquanto eu governar, governarei com o meu estilo", rematou notando ficar claro que no PSD prevalece a ideia de que são "autosuficientes" para governar. 

Adão Silva retomou a palavra para insistir que Costa esclarecesse a mudança de opinião face a 2012. "Verifico que estava cansado de estarmos num debate de nível de Estado e voltou para a pequena mesquinhez da politiquice, mas tudo bem", ripostou o secretário-geral do PS sublinhando haver uma diferença no âmbito da missão. "Não convidei ninguém para assessorar negócios, convidei alguém para pensar estrategicamente o país", acrescentou recordando que Borges chegou a responder no Parlamento em nome do então Governo chefiado por Passos Coelho.

Pelo meio ficou uma questão também suscitada pelo PSD e à qual António Costa não respondeu. Adão Silva quis perceber com que conselheiro será possível contar, se o Costa Silva que, há dois dias disse, na RTP, preconizar como essencial o reforço do peso do Estado na economia por constituir a proteção última de todos os cidadãos, ou aquele que esta quarta-feira, em entrevista ao Público, disse ser contra visões estatizantes. 

As críticas feitas por este deputado do PSD contrastaram, mesmo que parcialmente, com as declarações feitas sobre o tema pelo presidente social-democrata. Rui Rio disse nada ter a apontar à escolha de Costa Silva, recusando apenas que este conselheiro pudesse servir de interlocutor entre Governo e partidos, cenário já afastado tanto pelo primeiro-ministro como pelo gestor que lidera os destinos da Partex. 

Restantes forças da direita também atacam nomeação
CDS, Iniciativa Liberal e Chega não deixaram passar a oportunidade de atacar o primeiro-ministro pela escolha de Costa Silva. O CDS foi o primeiro, com o deputado Telmo Correia a ironizar notando que o gestor poderia ser perfeitamente o "20.º ministro" do Executivo liderado por António Costa, voltando a lembrar as declarações feitas em 2012 pelo primeiro-ministro enquanto comentador político. 

"[António Borges] era apresentado como o 12.º ministro. No seu seria o 20.º. Apesar de tudo faz alguma diferença. Não tem um ministro do Planeamento? Tinha ideia que sim (...) [Costa Silva] vai trabalhar de borla para o Governo e é pago pelo Governo tailandês. É estranho", ironizou o também líder da bancada parlamentar centrista que tem dúvidas se deve chamar "paraministro ou superconsultor" ao presidente da Partex.

Costa não destoou da primeira explicação dada a Adão Silva, embora personalizando a resposta em função do interlocutor. "Essa frase foi dita a propósito de António Borges ter vindo a uma comissão parlamentar responder pelo Governo"

"O problema mais grave que identificou no país é o meu convite a Costa Silva. Que bem que iria o país se fosse esse o problema mais grave!", ironizou Costa, aconselhando Telmo Correia a não se deixar "consumir" pelo assunto. "Sei que só foi fugazmente ministro durante uns meses, e se calhar não teve oportunidade de convidar ninguém", atira. "Teria concluído que é muito importante poder contar com o apoio de pessoas de fora. Os ministros fazem política, os técnicos fazem trabalho técnico, e é isso: a decisão política tem mais qualidade quando é mais bem informada".

Por seu turno, o líder da IL, João Cotrim Figueiredo, anunciou que o seu partido já chamou com caráter de urgência Costa Silva ao Parlamento a fim de este explicar as circunstâncias em que foi nomeado. Já o presidente demissionário do Chega, André Ventura, quis saber se esta escolha de Costa Silva é uma antecâmara para uma posterior ida para o Ministério da Economia, transitando o atual ministro dessa pasta, Siza Vieira, para as Finanças, isto porque Mário Centeno deverá sair em julho do Governo. Costa limitou-se a dizer que a situação está esclarecida e que Costa Silva não irá integrar o Executivo.  

(Notícia atualizada)

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