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Costa Silva gera mal-estar dentro do governo

As entrevistas de António Costa Silva e os termos em que foi redigido o despacho de nomeação caíram mal junto de vários governantes do Executivo socialista. As palavras de Mário Centeno nesta sexta-feira vieram apenas dar visibilidade a esse incómodo silencioso.

Lusa
Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 05 de Junho de 2020 às 18:30
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A nomeação de António Costa Silva como coordenador do programa de recuperação económica e a forma como este se projetou em várias entrevistas à comunicação social caiu mal no seio do governo, sabe o Negócios. Desde a fibra ótica à bitola ibérica, passando pelo hidrogénio, o novo consultor do governo abordou os mais variados temas nas entrevistas que concedeu ainda antes da sua nomeação oficial, gerando alguma tensão dentro do executivo socialista.

Esse mal-estar silencioso ganhou visibilidade esta sexta-feira nas declarações do ministro das Finanças, em entrevista à Antena 1, que assumiu nunca ter falado com o homem escolhido por António Costa para coordenar o plano o programa de recuperação até 2030. O Negócios apurou que vários ministros leram com desagrado o documento que o presidente da Partex (antiga petrolífera da Gulbenkian) elaborou, considerando-o não só pouco inovador na maior parte das áreas como, em alguns domínios, contraditório com o próprio programa do governo ou então extemporâneo face ao que já foi decidido. 

Mas é o próprio despacho com o qual António Costa nomeia Costa Silva como responsável pela "coordenação dos trabalhos preparatórios de elaboração do Programa de Recuperação Económica e Social 2020-2030" que gera desagrado junto de vários ministros. Aí refere-se que a conjuntura gerada pela pandemia obriga à "reavaliação e reorientações estratégicas" de documentos-chave da equipa de governantes de António Costa, tais como o Plano Nacional de Energia e Clima 2021-2030, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, o Programa Nacional de Investimentos 2030 e o Plano de Ação para a Transição Digital.

O despacho gerou perplexidade em vários gabinetes ministeriais visto que alguns destes documentos ou programas já estão fechados ou em fase muito adiantada. É o caso, por exemplo, da Estratégia Nacional para o Hidrogénio que foi aprovada pelo Conselho de Ministros a 21 de maio. Um mês antes, a 21 de abril, foi aprovado o Plano de Ação para a Transição Digital. Vão ser reavaliados?

O Programa Nacional de Investimentos encontra-se também numa fase muito adiantada. Tendo sido já apresentado o relatório final, o documento está há meses a ser avaliado por várias entidades. Outro caso é o da ferrovia. Embora não esteja entre os documentos citados no despacho do governo, Costa Silva defendeu, nas suas declarações públicas, mudanças nos planos investimentos na ferrovia. Acontece que o programa Ferrovia 2020 já está fechado com a União Europeia.


Centeno desvaloriza contributos de Costa Silva

Na entrevista de Mário Centeno à Antena 1, o responsável pela pasta das finanças parece desvalorizar o papel de António Costa Silva. Questionado sobre se tinha contado com a sua ajuda na elaboração do orçamento retificativo, Mário Centeno respondeu: "Não falei com ele, nunca na minha vida".


Centeno: "Nunca na minha vida” falei com António Costa Silva
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Para preparar este orçamento suplementar, Mário Centeno diz que não contou com a ajuda do conselheiro António Costa Silva: “Não falei com ele nunca na minha vida”.

À pergunta sobre como um conselheiro pode estar a preparar um plano de recuperação sem falar com o ministro das Finanças, Centeno mostra-se despreocupado, afasta grandes transformações no programa de recuperação e relembra que o governo tomou posse há muito pouco tempo e tem um programa para seguir.

"Só lhe estou a dizer o que posso dizer sobre este tema. Mas não estou preocupado com isso, devo confessar. O governo tomou posse há muito pouco tempo, tem um programa de governo, todos estamos muito focados, o programa de recuperação é um instrumento que permite colmatar brechas no investimento, no rendimento provocadas por esta crise. Não tenhamos o desejo de, com esta recuperação, criar uma economia nova, nem um mundo novo, nem um homem novo, isso não existe."

Ao contrário do que se passa com Mário Centeno, António Costa Silva já se reuniu com alguns ministros e a intenção é que apresente publicamente o seu programa de recuperação económica e social até meados de julho.

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