Saúde assume centro da campanha. Acompanhe aqui a corrida às presidenciais
As eleições presidenciais estão à porta, são no dia 18 de janeiro. Acompanhe o quinto dia de campanha.
Jorge Pinto recusa ser aliado do Governo e diz que único compromisso é com os portugueses
O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje que a única aliança que se compromete a fazer é com os portugueses, argumentando que não está na campanha para propor aliar-se ao Governo como Cotrim Figueiredo.
"É isso que me interessa. Eu não estou na campanha para ser aliado de quem quer que seja. Estou na campanha apenas para ser aliado dos portugueses e para lhes dizer que, comigo na Presidência da República, a minha única aliança era para com os portugueses", disse.
O candidato falava aos jornalistas depois de uma visita ao Grupo de Ação de Solidariedade Social de Antas (GRASSA), no concelho de Esposende, questionado sobre a carta enviada pelo candidato João Cotrim Figueiredo ao primeiro-ministro em que se comprometeu a ser um aliado do Governo em algumas reformas.
"O Presidente da República não tem de ser aliado de ninguém a não ser dos portugueses e do seu país", considerou.
Jorge Pinto frisou ainda, como tem feito ao longo de toda a campanha, que defenderá a Constituição, uma vez que é a "única aliança construtiva" a que está obrigado.
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo enviou na quinta-feira uma carta ao primeiro-ministro comprometendo-se a ser um aliado do Governo e a dar-lhe "respaldo político" se decidir avançar com reformas na saúde, economia e segurança social.
Após uma visita a um centro de dia, em que esteve em contacto com vários idosos, o candidato presidencial falou também de como pode chegar a este eleitorado, frisando que isso acontece "falando com as as pessoas" e transmitindo a "necessidade de pensar o país intergeracional a várias décadas".
"Estas pessoas certamente vão ouvir esse apelo e vão estar com ele. Porque pensar a longo prazo não é apenas um desafio para os mais novos. É também para os mais velhos. E, na verdade, são eles, maioritariamente eles, que mais me falam da necessidade de pensar a longo prazo", defendeu.
Jorge Pinto destacou ainda que a defesa da natureza, a valorização da comunidade e da cultura são pilares da atividade da associação que visitou e, simultaneamente, valores centrais da sua candidatura.
O candidato a Belém foi também questionado sobre políticas de habitação e criticou o Governo por definir 2.300Euro como uma renda moderada e defendeu que a solução desta crise não passa por medidas fiscais, parcerias com privados ou nova construção
"Aquilo que eu quero é um Estado que assume as suas responsabilidades. Portugal tem pouquíssima habitação pública, cerca de 2%", disse, acrescentando depois que o país deve ambicionar uma habitação pública de 20%.
Marques Mendes acusa Cotrim de ser "um catavento"
O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou hoje o adversário na corrida a Belém João Cotrim Figueiredo de ser "um catavento", com alguns "comportamentos ridículos", e considerou que "não tem crédito para ser candidato presidencial".
"Eu acho que há alguns comportamentos do candidato da Iniciativa Liberal que me parecem cair no ridículo, serem completamente ridículos", criticou, afirmando que o candidato apoiado pela IL escreveu ao Governo para "dizer que aparentemente está muito próximo, apaixonado pelo Governo", mas há um mês "considerava o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo um orçamento péssimo".
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava aos jornalistas no final de uma visita à Associação Social dos Idosos da Amoreira (no concelho de Cascais, distrito de Lisboa), no sexto dia da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Luís Marques Mendes considerou que Cotrim Figueiredo põe-se agora "ao lado do Governo "só para conquistar votos".
"Acho que isto é um bocadinho ridículo", salientou, pedindo "um bocadinho mais de decência e de coerência".
O candidato a Presidente da República assinalou igualmente que o adversário "agora parece apaixonado pela ideia de ser candidato presidencial ou de ser Presidente da República, mas há uns meses dizia publicamente, preto no branco, que não gostava da função presidencial, que gostava de uma função mais executiva, que a função presidencial não o fazia feliz".
"Quem se comporta desta maneira não tem crédito para ser candidato presidencial. Acho que isto é, de facto, um pouco o grau zero da vida política. Suceda o que suceder, eu nunca me comportarei desta forma", afirmou.
Luís Marques Mendes acusou Cotrim Figueiredo de "andar aos ziguezagues" e de parecer "um catavento".
Questionado sobre ele próprio também já ter salientado o facto de ter criticado o Governo em algumas ocasiões, o candidato presidencial referiu que "a questão não é essa, a questão são opções de fundo em que hoje está no oito e amanhã está no 80".
"Não é possível há um mês considerar-se que o Orçamento de Estado, que é o principal instrumento do Governo, é mau, e depois agora já se escreve ao Governo que se está muito próximo e se quer apoiar o Governo. Evidentemente que isto é apenas e só um instrumento para conquistar votos, mas as pessoas percebem que são ziguezagues", criticou.
Na quinta-feira o candidato presidencial Cotrim Figueiredo enviou uma carta ao primeiro-ministro comprometendo-se a ser um aliado do Governo e a dar-lhe "respaldo político" se decidir avançar com reformas na saúde, economia e segurança social.
Nesta visita inserida na campanha eleitoral para as presidenciais de 18 de janeiro, Luís Marques Mendes contou com a presença e o apoio do conselheiro de Estado e ex-dirigente do CDS-PP António Lobo Xavier, da deputada do PSD e vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, do secretário de Estado da Administração Interna e vice-presidente do CDS-PP Telmo Correia, do secretário-geral centrista, Pedro Morais Soares, e do presidente da Câmara Municipal de Cascais, eleito pelo PSD, Nuno Piteira Lopes.
Quando se cruzaram, já no final da visita à instituição, Lobo Xavier disse que "estava perto" e quis dar "um abraço e um apoio" a Marques Mendes.
António Lobo Xavier desvalorizou as sondagens que são desfavoráveis a Marques Mendes e assinalou que manifestou o seu apoio ao candidato a Presidente da República ainda antes de o CDS-PP ter decidido apoiá-lo.
"As sondagens de que falamos são um tipo especial de sondagens, não têm aquela segurança nem aquela certeza que por vezes encontramos noutras alturas, e eu não estou preocupado com isso. Acho que ele é o melhor e vou com ele até à última", indicou, mostrando-se convicto numa vitória de Marques Mendes "nesta maratona".
Luís Marques Mendes agradeceu a "boa surpresa" e mostrou-se "confiante" no resultado nestas presidenciais, sustentando que "sente a realidade" pelo país e que "as coisas serão bem diferentes" no dia 18 do que antecipam as sondagens.
Seguro pede coragem ao Governo para agir na saúde
O candidato presidencial António José Seguro pediu hoje coragem ao Governo para agir e concretizar as soluções identificadas como necessárias para resolver os problemas na saúde, defendendo que "chega de palavras" porque "é preciso resultados".
"Estão identificadas as soluções, é preciso é coragem para agir. O Governo tem que ter essa coragem", respondeu António José Seguro aos jornalistas, no Gavião, em Portalegre, quando questionado sobre a situação na saúde.
Sobre se a ministra da Saúde tem condições para continuar no cargo, o candidato presidencial apoiado pelo PS voltou a escusar-se a responder e preferiu focar-se nas preocupações que tem com o setor.
"A minha preocupação é que os portugueses, quando querem marcar uma consulta tenham a consulta no tempo certo, a horas certas, tenham urgências abertas, que as intervenções cirúrgicas sejam feitas quando as pessoas precisam, mais médicos, mais profissionais de saúde, melhor o estatuto dos nossos profissionais de saúde no nosso SNS", defendeu.
Segundo Seguro, Portugal tem "mais médicos que a média europeia a nível nacional", mas "poucos médicos no SNS".
Questionado sobre se acha que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ouviu quando pediu explicações ao Governo, o candidato presidencial respondeu: "Se ele me ouviu, fico feliz, mas mais do que ouvir é preciso agir e é preciso que da ação resultem soluções".
"Os portugueses têm que ter acesso a tempo e horas aos cuidados de saúde e isso deve ser uma preocupação e uma prioridade de todos, todo o país. Chega de palavras, é preciso resultados", disse.
Líder do BE acusa Governo de irresponsabilidade e de falta de soluções na saúde
O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, acusou hoje o Governo de irresponsabilidade no setor da saúde e de adotar uma estratégia de desqualificação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"Para este problema da emergência médica precisávamos de ter um Governo com duas atitudes: responsabilidade e solução, mas o que o primeiro-ministro fez [quinta-feira] na Assembleia da República foi todo o contrário disso", disse o dirigente aos jornalistas, em Coimbra, no final de uma visita à delegação do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
A visita ocorre após três pessoas terem morrido esta semana alegadamente por atrasos no envio de meios de socorro do INEM e no dia seguinte ao chefe do Governo PSD/CDS-PP ter sido confrontado no parlamento com a situação durante o debate quinzenal.
José Manuel Pureza acusou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de defender "teimosamente" a ministra da Saúde, que "há imenso tempo deixou de ser um problema, porque é totalmente inexistente do ponto de vista da capacidade de resolver problemas nesta área".
Para o dirigente, Ana Paula Martins "há muito tempo que não devia ser ministra da Saúde, porque a sua incapacidade de resolver os problemas é gritante e a cada problema junta mais dois ou três".
"Essa sua teimosia veio associada ao anúncio da compra de duas centenas de ambulâncias, sabendo nós hoje que, afinal, esse processo de compra já estava decidido por um Governo anterior há mais de dois anos", frisou.
Para o coordenador do BE, o que o primeiro-ministro faz, "em vez de resolver problemas, é tentar aparecer bem na fotografia, mas cada evidência de fragilidade da emergência médica é também a evidência da irresponsabilidade deste Governo e o país precisa de quem olhe pela segurança de uma forma muito mais cuidada".
Segundo o líder bloquista, o país está perante uma política assumida por sucessivos Governos "que não dá resposta e continua a não planear, que vai atrás do prejuízo, apresentando medidas avulsas sem uma programação".
O dirigente considera que a falta de equipamentos e de recursos humanos no INEM se deve à "falta de responsabilidade de sucessivos Governos em dotar o sistema dos meios humanos, logísticos e materiais, que garantam capacidade de resposta às população portuguesa".
"Em bom rigor, a falta de investimento na emergência eédica é a réplica da falta de investimento em geral no SNS. A estratégia deste Governo é assumidamente desqualificação do SNS, procurando criar condições para que mais valha existirem privados do que um serviço público desqualificado, com resultados à vista" sublinhou José Manuel Pureza.
Ventura reitera "inoportunidade" de Conselho de Estado onde pretende criticar PR sobre saúde
O candidato presidencial apoiado pelo Chega lamentou hoje a "inoportunidade" do Conselho de Estado, no qual vai participar, e onde pretende transmitir ao Presidente da República que devia ter tido uma "ação firme" com o Governo na saúde.
"Certamente vou dar nota de duas coisas: da inoportunidade que um Conselho de Estado no meio de uma eleição presidencial, que não tem uma justificação, a que não seja colocar o Presidente da República em exercício no centro do debate político. E obviamente que vou dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que aquilo que aconteceu nos últimos dias em Portugal, em termos de saúde, mereceria uma ação firme do Presidente da República", defendeu André Ventura.
O candidato às eleições presidenciais de dia 18 falava aos jornalistas em Sobral de Monte Agraço, distrito de Lisboa, num dia em que a sua agenda de campanha tem apenas uma iniciativa devido ao Conselho de Estado no qual vai participar, à tarde, para analisar a situação na Ucrânia e na Venezuela.
Apesar de os temas serem internacionais e de considerar que a convocatória deste órgão consultivo do chefe de Estado é errada, André Ventura, que foi eleito conselheiro de Estado pelo parlamento em 2024, considerou que "é preciso dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que ele falhou ao não chamar a atenção do Governo em falhas gravíssimas" nos últimos dias, "quando pessoas morriam por falta de atendimento médico".
"Portanto, eu perguntarei ao Presidente da República, com todo o respeito, e é muito, que tenho por ele, o que é que andava a fazer nestes dias", afirmou.
Interrogado sobre o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter pedido, na quinta-feira, uma explicação o mais rápido possível sobre os casos de mortes que ocorreram sem que tivesse chegado socorro do INEM, defendendo que os portugueses precisam de certezas nesta matéria, Ventura considerou que o chefe de Estado "falou 48 horas depois do que devia ter falado".
O candidato a Belém lamentou que "o Presidente da República tenha que ter um candidato a dizer-lhe que ele tem que falar sobre saúde" e acrescentou que, caso seja eleito, não irá "precisar que ninguém" lhe diga "que é o momento de falar ou não falar".
Além de André Ventura, dos candidatos presidenciais, também Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP) vai participar no Conselho de Estado.
Cotrim Figueiredo assume que disputa com Seguro seria a mais interessante numa segunda volta
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo assumiu hoje que a "disputa mais interessante" de uma eventual segunda volta seria entre si e António José Seguro porque são os adversários que têm maior "clivagem de visão de sociedade".
"Eu acho que se olharmos para o conjunto de candidatos que têm hipóteses de ir à segunda volta onde há mais clivagem de visão de sociedade, se quiser, é entre mim e António José Seguro", afirmou o também eurodeputado.
No final de uma visita à fábrica Nelo Kayaks, em Vila do Conde, no distrito do Porto, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal considerou que António José Seguro tem uma visão "mais estatista, mais parada e mais antiga do país" que contrasta com a sua visão "bastante mais dinâmica, moderna e de confiança naquilo que são as capacidades intrínsecas dos portugueses".
"Portanto, sendo esse o contraste, acho que seria a disputa mais interessante para os portugueses clarificarem a posição que têm sobre o país", entendeu.
Em sua opinião, quem vota Ventura está, na prática, a garantir a eleição do socialista António José Seguro que não mostrou até agora nenhuma vontade, nem nenhuma energia para mudar.
"Se for [Seguro] à segunda volta comigo a realidade pode ser bem diferente, será bem diferente. E, portanto, isto não é uma matemática muito complicada, a conclusão é clara", assinalou.
O antigo líder da IL insistiu que quem quer mudar Portugal e quem quer que o país funcione no presente e no futuro "tem uma opção de voto clara que é votar Cotrim".
Por isso, durante a visita à fábrica acompanhado pelo proprietário Manuel Ramos, antigo atleta de canoagem, e ouvindo por parte de alguns trabalhadores desejos de sorte, Cotrim Figueiredo disse não precisar de sorte, mas sim de cruzes no seu nome no boletim de voto.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde.
Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Gouveia e Melo considera que os seus adversários têm "pequenina" dimensão política
O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou hoje que os seus adversários têm "pequenina" dimensão política, sem qualquer comparação com Mário Soares ou Cavaco Silva e sem valor intrínseco, porque dependem dos respetivos partidos.
Estas críticas, que visaram indiretamente Marques Mendes e António José Seguro, foram feitas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de ações de campanha em Viana do Castelo, que começaram bem cedo junto ao Mercado Municipal e terminaram junto ao café Natário no centro da cidade.
Nas declarações que fez aos jornalistas, Gouveia e Melo disse que tem como principal opositor "o sistema" e também acusou os partidos de pretenderem controlar o voto dos portugueses nas eleições presidenciais.
Já no fim, falou da seguinte forma sobre os seus principais adversários na corrida a Belém: "Não queiram comparar os candidatos atuais, que nem conseguiram vencer dentro dos seus partidos, nunca foram primeiros-ministros e não têm uma dimensão como teve o Mário Soares ou Cavaco Silva, ou outros presidentes" da República.
"Não é com a dimensão pequenina com que estão a concorrer - e estão todos preocupados. Se não fossem os partidos, não chegavam lá, porque não têm valor intrínseco. Se tivessem valor intrínseco, não precisavam do partido para nada", declarou.
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